CRESCER AO RITMO DO MERCADO DAS TIC

O INÍCIO

Em 1984, Portugal ainda estava fora da então Comunidade Económica Europeia (CEE). A demora média para instalar um telefone era de meses ou anos e a densidade telefónica era de cerca de 13 telefones por cem habitantes, a mais baixa da Europa, a seguir à Turquia. Num mercado monopolista e controlado pelo Estado actuavam três empresas na área das comunicações: TLP – Telefones de Lisboa e Porto, que operavam nas regiões de Lisboa e Porto; CTT – Correios e Telecomunicações de Portugal, detentores do exclusivo na área postal e do negócio das telecomunicações no resto do território nacional não explorado pelos TLP; e CPRM – Companhia Portuguesa Rádio Marconi, responsável pelas ligações internacionais.

 

Mas já se adivinhavam tempos de mudança. Tanto pela entrada na CEE, que efectivamente ocorreu a 1 de Janeiro de 1996, como pelos “ventos” que chegavam um pouco de todo o mundo, num movimento que na altura se classificava de “revolução tecnológica”, pela associação das comunicações à electrónica e à informática. Começavam as primeiras acções de digitalização das redes, visando a implantação de uma Rede Digital Integrada de Serviços (RDIS) e tinha entrado em funcionamento a que era considerada a “terceira rede pública de telecomunicações”, a rede para comunicação de dados da Telepac.

 

Foi neste cenário que nasceu, no início de 1984, a ideia de criação da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), pelas mãos de Gonçalo Sequeira Braga. Criado o núcleo dos primeiros dezasseis apoiantes do projecto, a Associação foi formalmente constituída a 13 de Novembro do mesmo ano, depois de escolhidos o logótipo, nome e estatutos. Pretendia-se “um fórum de sã convivência profissional, intelectual, cultural e social (...) cujo sucesso dependerá, sempre e exclusivamente, do interesse e dinamismo dos seus associados".

 

Em Fevereiro de 1985, escolheram-se os primeiros corpos sociais: Virgílio Mendes para presidente da Assembleia-geral; Rocha de Matos para presidente do Conselho Fiscal; e Sequeira Braga para presidente da Direcção. Sequeira Braga dava assim corpo ao seu projecto, consolidando ideias e avançando com os primeiros projectos. Um deles foi a revista COMUNICAÇÕES, cujo primeiro número foi publicado em Julho/Agosto de 1985, um “um porta-voz do sentir da APDC e elemento fundamental de ligação, divulgação e formação de todo o sector”, sendo a primeira iniciativa editorial na área das comunicações. O “I Congresso Português das Comunicações” aconteceu em Março de 1986. E no início de 1987 a Associação é oficialmente considerada de utilidade pública

 

A EVOLUÇÃO

Desde então, a Associação evoluiu ao ritmo da evolução do mercado, cada vez mais acelerada. Especialmente a partir de 1990, ano em que se arrancou com a liberalização do sector das telecomunicações, de acordo com os timings negociados com Bruxelas. Primeiro, foram abertos os serviços de transmissão de dados e de valor acrescentado. Um ano depois, em 1991, foi o serviço móvel terrestre, com o arranque da Vodafone, então Telecel, e da segunda geração móvel, que sucedia à rede analógica explorada em monopólio por uma empresa do universo dos CTT, antecessora da TMN. Nessa altura, havia menos de 30 mil telemóveis analógicos.

 

Seguiu-se, em 1992, o paging, que depois de um crescimento exponencial, acabaria por desaparecer, não resistindo à concorrência extrema dos telemóveis. No mesmo ano, também a televisão por cabo acabou ser aberta à iniciativa privada, tendo surgido na altura vários projectos que ficaram pelo caminho. Seguiu-se o trunking em 1993, os serviços via satélite a grupos fechados de utilizadores em 1996 e, finalmente, o serviço fixo de telefone, em Janeiro de 2000. É que a partir daqui, foi possível, em teoria, ter operadores alternativos globais, ou seja, a competirem em todos os segmentos de negócio.

 

Pelo meio ficaram outros movimentos fundamentais para a construção do actual sector das comunicações electrónicas. A criação do organismo regulador das comunicações, o então Instituto das Comunicações de Portugal (ICP), agora Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), em 1989. Foi um dos primeiros órgãos reguladores ao nível europeu. Depois, surge a profunda reorganização do sector empresarial do Estado nesta área, que passou pela separação, em 1992, das actividades dos correios e das telecomunicações, dando lugar aos CTT – Correios de Portugal e à Telecom Portugal. Para encabeçar este processo, foi criada no mesmo ano uma holding estatal, a Comunicações Nacionais. Sob a sua batuta foi criada a Portugal Telecom (PT), que resultou da fusão entre a Telecom Portugal, os TLP e a Teledifusão de Portugal (TDP), retirada à estrutura da RTP. A nova PT controlava ainda a CPRM na sua totalidade. Em 1995, avançou-se com o processo de privatização da PT em cinco fases sucessivas, até 2000.

 

Têm sido anos de verdadeira revolução. Passou-se do conceito de assinante para cliente. Das listas de espera de anos por um telefone fixo evolui-se para um cenário de múltiplas escolhas nas várias plataformas. Os preços desceram, a qualidade aumentou. Surgem todos os dias novos produtos e serviços. A banda larga é cada vez mais larga. A Internet colocou o mundo à distância de uma tecla. Hoje, é impensável viver sem comunicações ou, de uma forma mais abrangente, sem Tecnologias de Informação e Comunicação.

 

No meio de todas estas mudanças, esteve sempre a APDC. Desde sempre se tema assumido com o grande fórum de debate do mercado, acompanhando a sua evolução e alargando às tecnologias de informação, ao multimédia e a todos os sectores em geral, uma vez que as TIC são cada vez mais transversais a toda a economia.