Evento APDC

Conferência Nearshoring & Human Talent

"Portugal as an attractive services hub"

A atratividade de Portugal lá fora, como um hub relevante de serviços, é cada vez maior. Os investidores valorizam, entre outros fatores, os vários programas de apoio ao investimento estrangeiro e há cada vez mais projetos instalados no nosso país. Mas o que faz verdadeiramente a diferença é o talento nacional. Aqui, há que saber tomar medidas e os casos de sucesso comprovam que uma estratégia bem definida e a colaboração em ecossistema dão resultados muito positivos, com ficou claro na Conferência "Nearshoring & Human Talent - Portugal as an attractive services hub", realizada no âmbito da Secção Portugal Outsourcing da APDC.

Na abertura desta conferência, João Dias, administrador da aicep - Portugal Global, destacou que embora "não existam estatísticas oficiais para ter levantamento rigoroso de todos os centros de competências em Portugal, tem havido uma evolução grande, tanto em entrada de novos projetos como em alargamento de projetos já instalados em Portugal".

Tendo em conta a centralidade do país, que começa a ser visto já de forma global, estão a surgir novos investimentos vindos de fora da Europa, que se instalam não apenas em Lisboa, "onde tudo começou", mas também noutros locais do país. A área tecnológica, seguida da financeira, são as que Portugal tem "conseguido melhores conquistas na atração de centros de competências", salienta o gestor.

TALENTO NACIONAL É DIFERENCIADOR

Os esforços da aicep no sentido de ‘vender Portugal' assentam em argumentos como o nearshoring, ser uma ponte para outros mercados além do europeu, manter custos interessantes ou ter um ecossistema de inovação de base tecnológica cada vez maior e mais reconhecido. Mas o grande ativo que tem sido decisivo, na sua perspetiva, é a qualidade do talento nacional, uma vez que "Portugal é visto, cada vez mais, como um local extremamente dinâmico, com quadros técnicos muito qualificados que conseguem fazer desenvolvimento de tecnologia e serviços de valor acrescentado",

Acresce o conjunto de incentivos que foi sento criado para apoiar os investidores estrangeiros, que vão desde a fiscalidade ao apoio à I&D e à criação de emprego. Segundo João Dias, "o iapmei faz todo este trabalho de fazer contacto com potenciais investidores e ajudá-los em todo o processo. Tudo de A a Z. Mas temos o sério desafio de não perder o fator primordial que torna isto possível, o talento. É o fator fundamental para manter toda esta dinâmica de investimento estrangeiro", alerta.

As iniciativas e programas de apoio à atração e fixação de empresas tecnológicas em Portugal são os mais variados, e vêm de várias entidades, como ficou bem patente no debate que se seguiu. As medidas ativas de criação de emprego, destinadas a facilitar o acesso ao emprego e a incentivar as empresas a criar postos de trabalho, são um exemplo.

Entre elas estão as medidas de estágio profissional e de apoio à contratação, abordadas por Alexandre Oliveira, diretor de Serviços de Promoção de Emprego do Departamento de Emprego do IEFP. São pacotes que existem já há variados anos, mas que se têm vindo a ajustar à realidade do mercado. No primeiro caso, destinam-se a apoiar a "transição do mundo das qualificações para o mundo do trabalho, permitindo ainda facilitar o recrutamento pelas empresas do setor privado no final do processo. Tem dado bons resultados na criação de emprego e vamos mantê-la", diz.

Já nos apoios à contratação, medidas como o contrato-emprego, dirigida a pessoas desempregadas e inscritas nos centros de emprego, têm permitido a contratação de pessoas e a criação líquida de emprego. O responsável do IEFP garante que "a possibilidade de conjugar medidas tem sido muito importante para aliciar investimentos em Portugal".

PROMOVER INOVAÇÃO COLABORATIVA

Também a Agência Nacional de Inovação, cujo objetivo é promover a inovação colaborativa, numa perspetiva de partilha de conhecimento e de inovação em novos produtos, processos ou serviços pelas empresas, tem desenvolvido um trabalho importante. Nomeadamente na promoção de projetos demonstradores, aplicáveis ao mercado, que nascem da conclusão de projetos de I&D, e nos programas mobilizadores, projetos já com uma dimensão significativa, que pelo seu interesse estratégico são estruturantes e de grande volume de investimento, como avança Nuno Alves, da Unidade de Incentivos da ANI.

Destacando que o objetivo dos apoios da ANI é sempre o de desenvolver novos produtos, processos ou serviços, este responsável detalhou o tipo de medidas de apoio e de promoção dos cofinanciamentos, nacionais ou europeus, que esta entidade promove junto do mercado. Promoção da integração em consórcios internacionais, apoio a projetos com selo de excelência europeu, ações de internacionalização de I&D e integração de equipas de I&D em empresas foram exemplos citados.

Um instrumento que é considerado um incentivo de grande importância para a economia e para o país como um todo é o Tech Visa. Com ele, pretende-se responder ao crescente problema da falta de talento para o mercado, através da facilitação da contratação de pessoas no estrangeiro.

Segundo Pedro Cilínio, da Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial do IAPMEI, este programa de certificação de empresas que estejam em Portugal, permitindo facilitar o recrutamento de trabalhadores altamente qualificados oriundos de países fora da UE, está a ter uma elevada taxa de sucesso.

O gestor indica que as empresas que já foram certificadas com o Tech Visa estimam que a simplificação dos procedimentos de autorização de residência em Portugal tenham reduzido o tempo de emissão do visto em cerca de 20%. Apesar do processo ainda não funcionar a 100%, o facto é que já estão certificadas 93 empresas e foram recebidas 109 candidaturas. No recrutamento - há 218 termos de responsabilidade já emitidos - o domínio de talento do Brasil é avassalador.

Questionado sobre a eventual criação de um programa de incentivos à retenção de talento português, o gestor destaca que não há nada previsto, para além do pacote de medidas fiscais para quem quer regressar ao país. Acresce que as novas gerações têm uma apetência muito grande para ter uma carreira internacional, o que é difícil de travar. Mas enuncia um outro problema a que é preciso saber dar resposta: a mobilidade dentro do próprio país, sobretudo para o interior, onde falta talento qualificado. Na sua ótica, "há que criar medidas ativas para dinamizar a mobilidade dentro do país e ajudar as empresas".

E mesmo nas medidas para incentivar o investimento estrangeiro, a dinâmica do mercado obriga a criar constantemente iniciativas e ideias para atrair empresas. "Não podemos parar. Os países concorrentes ao nosso também não estão parados. Não existem formulas milagrosas". Um dos caminhos para ganhar dimensão será o de "integrar mais redes mundiais de inovação. Estamos muito bem posicionados como prestadores de serviços, mas há margem para prestar mais valor económico", garante.

APRENDER COM CASOS DE SUCESSO

Vision-box, Altran Portugal e Bosch Service Solutions são case-studies de sucesso de aposta no mercado nacional. No primeiro caso, surgiu de um projeto português que atualmente se assume hoje como uma "empresa portuguesa multinacional focada na biometria e nas soluções de identidade digital, que é líder na automação de fronteiras", como avança Catarina Azevedo, Diretora de Recursos Humanos da Vision-box.

Com mais de 500 colaboradores e presente em 5 continentes, empresa tem as suas soluções em mais de 80 aeroportos, sendo usadas por mais de 1 bilião de utilizadores. "Estamos no mundo inteiro e temos de garantir que captamos talento para todas as subsidiárias", diz a gestora, destacando que a empresa tem em curso várias medidas para atração de talento, porque é aqui que reside o desafio.

"Portugal já não consegue produzir talento suficiente para responder ao aumento da procura. Há muita concorrência na contratação de talento, pelo que estamos, cada vez mais, focados em pessoas e não nas coisas", realça, destacando os vários incentivos criados, nomeadamente para conseguir pessoas para o novo hub que estão a abrir no Porto. A empresa pretende ainda "explorar o potencial do Tech Visa, que é claramente uma oportunidade para as empresas nacionais".

A Altran Portugal é uma das empresas que já é certificada com o Tech Visa e que contrata muitos recursos humanos no Brasil, nomeadamente. Até porque aposta cada vez mais nas soluções tecnológicas e na I&D, o último exemplo é o arranque do laboratório colaborativo Vortex, e está a crescer muito. Rodrigo Maia, Technology and Innovation Director da Altran, garante que nos últimos 5 anos a empresa multiplicou a sua dimensão por 5.

Tendo em conta o problema do talento ao nível global, o gestor considera que a falta de recursos humanos no nosso país está na média global, pelo que Portugal continua a ser atrativo. Há é que saber desenvolver estratégias ativas nessa área, como tem feito a Altran, através de um modelo de cooperação e de parceria com várias instituições académicas - universidades e politécnicos - para a formação à medida e o recrutamento de juniores. É por isso, por exemplo que consegue ter uma operação de dimensão relevante no Fundão. Acresce a estratégia de aproximação a várias entidades, como o IEFP, e o recurso aos vários programas de apoio públicos disponíveis.

Também Tomás Xavier, Operations Manager da Bosch Service Solutions, destaca que nesta empresa, que fornece múltiplos clientes do grupo internacionais a partir de Lisboa de acordo com a lógica dos três ‘s's' - sensors, software e services - tudo assenta no talento. Por isso, desenvolveram uma estratégia interna de recrutamento, formação, desenvolvimento de carreira e formação à medida e recorrem ainda a parceiros de recrutamento.

Na sua opinião, "o recrutamento tem que ser visto hoje de forma totalmente diferente. Temos de ter outro tipo de abordagem: ao mercado e aos candidatos. Estamos num mundo global e cada vez o acesso a outras nacionalidades é uma possibilidade. Temos de nos abrir nesse sentido". Até porque "Portugal vende muito bem" e "temos o que necessitamos para fazer a diferença".

Programa

09:30
ABERTURA
Manuel Maria Correia – Presidente, Secção Portugal Outsourcing - APDC
João Dias – Vogal do Conselho de Administração, AICEP
10:00
INICIATIVAS/ PROGRAMAS DE APOIO À ATRAÇÃO E FIXAÇÃO DE EMPRESAS TECNOLÓGICAS EM PORTUGAL
Nuno Alves – Unidade de Incentivos, ANI
Pedro Cilínio - Direção de Investimento para a Inovação e Competitividade Empresarial, IAPMEI
Alexandre Oliveira – Diretor de Serviços de Promoção de Emprego do Departamento de Emprego, IEFP
Moderador: Nuno Pignatelli – Vogal da Direção da Secção Portugal Outsourcing, APDC
11:30
TESTEMUNHOS / CASE STUDIES
Catarina Azevedo – Diretora de Recursos Humanos, Vision-box
Rodrigo Maia – Technology and Innovation Director, Altran
Tomás Xavier - Operations Manager, Bosch Service Solutions
Moderador: Pedro Miranda – Vice-Presidente, Secção Portugal Outsourcing - APDC
12:45
ENCERRAMENTO

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