Evento APDC

20.06
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Digital Business Breakfast APDC

Como está a IoT a mudar os negócios?

No futuro, todos os negócios serão seguramente diferentes. A Internet das Coisas (IoT), está a ser usada massivamente, combinada com múltiplas tecnologias, para transformar dados em conhecimento. Com ele, as empresas já estão a mudar estratégias e modelos de negócio e a criar novas ofertas para o cliente. Este é um processo evolutivo, onde a experimentação é uma constante. A realidade mostra que os desafios e as incógnitas são muitas e ninguém tem duvidas de que a IoT será fundamental para lhes responder.

"Não há limites para a imaginação no que a tecnologia pode fazer com a IoT", garante o keynote speaker deste Digital Business Breakfast APDC, onde a IoT foi o tema central. Para Miguel Lopes, VP Plaform Strategy da OutSystems, as oportunidades são imensas à volta dos devices e podem mudar totalmente o modelo de negócio das empresas.

Usar a IoT para obter dados do consumidor, a partir da sua ‘poeira digital', assume atualmente um papel crítico em todas as organizações. Há muitos exemplos disso nas mais variadas áreas de atividade, onde as empresas vão além da recolha de dados dos clientes, envolvendo-os ativamente nas suas respostas ao mercado e usando as respetivas plataformas para áreas que inicialmente não estavam previstas.

Para este responsável, "o fundamental não está em acreditar à cabeça que se sabe o modelo de negócio final, mas sim na experimentação, no que se vai aprender com base nos resultados que ocorrem com o uso dos clientes, que têm a sua própria motivação para o fazer".  Se há "tipicamente desafios na IoT", como a questão da integração, tendo em conta que há mais de 850 fabricantes, ela permite agir em tempo real, com a experiência de negócio de cada um e de poder intervir para mudar resultados que eventualmente poderão impactar o negócio.

"Cada plataforma de IoT tem as suas particularidades especificas, mas o que interessa é poder passar a um modo de experimentação rápido. Só experimentando na vida real, com feedback de clientes, utilizadores e fornecedores, é que se vê se a mudança é real e se há oportunidade de negócio", considera o orador. Mais: há mesmo que "viver num modo de contínua experimentação", para que o modelo de negócio evolua, os clientes estejam satisfeitos e se conseguir a otimização operacional.

USAR MULTIPLICIDADE DE DADOS

O debate que se seguiu, moderado por Rogério Carapula, Presidente da APDC, que reuniu players das áreas da saúde, banca, seguros e energia, mostra que todos estão já a explorar o potencial da IoT e a definir novas estratégias para o negócio, até porque se têm que reajustar às novas condições de mercado, com clientes cada vez mais digitalizados e capacidades de armazenamento e de processamento que não param de crescer.

O grupo José de Mello Saúde está muito atento ao que se está a fazer um pouco por todo o lado com a multiplicidade de dados que todos os dias são produzidos nas mais diversas atividades. O seu Administrador Executivo, Rui Assoreira Raposo, acredita mesmo que o futuro está a chegar, como o mostram exemplos como uma escova de dentes com sensores que mostram a saúde oral de uma pessoa e comunicam os dados para um contact center clinico, que os controla e alerta para eventuais problemas. Ou de um hospital em Espanha que tem70 camas em casa dos pacientes, com monitorização intensiva.

"A informação deixa de se estática. Tudo podem ser indicadores de determinadas situações clínicas que, quando transformadas em informação útil, evitam que os problemas do paciente se resolvam preventivamente, sem chegar à situação aguda. É muito mais fácil e barato prevenir do que remediar, leia-se curar", acrescenta.  Por isso, é preciso que o mercado se deixe de centrar numa "cultura hospitalar egocêntrica, que é a que temos hoje, para passarmos para o paradigma da prevenção. Aqui, a IoT tem um papel como não há. Todos os devices e ligações à distância vão ser transformadas em valor efetivo, que beneficia não só o doente e o cidadão, como a sociedade como um todo".

ECOSSISTEMAS COMPLEXOS

Na banca, tendo em conta que o objetivo é tornar-se "absolutamente omnipresente na vida do cliente e transparentes", como fiz Francisco Barbeira, Administrador Executivo do Banco BPI, a IoT também é essencial. Mas este é um setor composto por um "ecossistema complexo de várias peças", que já há algum tempo recolhe muita informação sobre o cliente, através das ATM's, apps, home banking ou cartões.

O desafio está contudo, na utilização da informação recolhida e é aqui que o gestor defende que o IoT poderá fazer muito mais. É que existem várias áreas onde se poderá melhorar a sensorização e a recolha de informação, como através de wearables, nos balções físicos, que é "o canal menos lido" ou através do conceito de open banking. Mas é preciso também "saber atuar sobre essa informação", que tem que ser olhada como uma oportunidade e não como um custo. "Aí temos muito que fazer. O setor financeiro fez muita coisa, mas também desperdiçou muita informação", garante.

Francisco Barbeira está convicto de que os pagamentos vão tornar-se nos próximos anos mais transparentes, com os standards e interfaces de pagamento a alterar-se substancialmente. A evolução dos sistemas de segurança e a transformação do suporte ao aconselhamento financeiro do cliente são outras áreas onde a IoT vai transformar tudo. Tal como o tema do risco, que será "altamente disrompido pela capacidade de recolher informação e em cima dela colocar machine learning.

O setor segurador não foge à regra de uma transformação profunda nos próximos anos. Também esta área tem uma "impressionante capacidade de recolher dados em tempo real. Daqui a 10 anos será assustador o que será possível", garante Eduardo Romano, CIO da Liberty Seguros. Com um conhecimento dos clientes e dos riscos cada vez mais apurado, o setor vai, no entanto, defrontar-se com a extinção de alguns seguros não obrigatórios, substituídos por soluções tecnológicas eficientes. Ficarão os seguros obrigatórios e os eventos da natureza.

Este responsável antecipa que as seguradoras terão de apostar no aconselhamento ao cliente, feito através da rede de mediadores. Mas até estes serão, no futuro, substituídos por plataformas digitais com capacidade para investir e aconselhar o cliente.

Na energia, a utilização da tecnologia e de soluções de IoT é também crescente. Sobretudo em empresas como a Galp, que tem vindo a alargar a sua atividade muto além da refinação e distribuição de produtos petrolíferos, entrando no negócio da exploração e produção e no gás e eletricidade. Carlos Costa Pina, Administrador Executivo da empresa, há ainda coisas por fazer para garantir o negócio.  Sobretudo ao nível dos dados e da digitalização, claramente "um dos maiores desafios que se coloca ao setor".

Este é um desafio que se coloca em várias dimensões: na industrial e de logística, onde "o potencial de utilização de sensorização e de extração de dados para a tomada de decisão tem um potencial imenso para explorar"; no próprio funcionamento e organização interna; e nas áreas mais diretamente ligadas à comercialização de produtos de energia, seja B2B seja B2C. Para o gestor, "há um potencial imenso que está à nossa frente para ser explorado".

É que há que responder à emergência das novas empresas, as energy techs, que se assumem com uma matriz estritamente tecnológica e oferecem um bundle de serviços de energia. Perante estes novos concorrentes, as empresas do setor ou agem para assumir e liderar projetos desta natureza ou passam a ser apenas fornecedores de produtos energéticos de marca branca. Para Carlos Costa Pina, "não se pode, de modo nenhum, perder este campeonato" e deve manter-se sempre a ligação e relação com o cliente final. É o que a Galp está a fazer, com a recente compra de uma participação relevante numa empresa em Espanha de comercialização, contratação, ativação e faturação de eletricidade que é 100% tecnológica. A ambição é depois escalar para os demais negócios e para o mercado nacional.

No entanto, subsistem muitas incertezas, nomeadamente as ligadas à mobilidade, área onde a empresa tem uma presença forte. É que ainda é difícil prever o que acontecerá com temas como os carros elétricos, os carros autónomos e o carsharing. Tudo dependerá dos padrões de comportamento. Mas o gestor dá como certo que os "modelos de negócio terão que ser reinventados. Não vamos poder estar apenas a fazer as mesmas coisas de modo diferente, com base em plataformas tecnológicas. Trata-se de reinventar o modelo de negócio", garante.
 

Programa

08:30
Receção de Participantes e Pequeno Almoço
09:00
BOAS VINDAS
Rogério Carapuça - Presidente, APDC
09:05
ACELERAR A REVOLUÇÃO DE IoT: UMA HISTÓRIA REAL AO SERVIÇO DOS CIDADÃOS
Keynote : Miguel Lopes - VP Plaform Strategy, OutSystems
09:30
COMO ESTÁ A IoT A MUDAR OS NEGÓCIOS?
Carlos Costa Pina - Administrador Executivo, GALP
Eduardo Romano – CIO, Liberty Seguros
Francisco Barbeira - Administrador Executivo, Banco BPI
Rui Assoreira Raposo - Administrador Executivo, José de Mello Saúde
Moderador: Rogério Carapuça – Presidente, APDC
10:30
ENCERRAMENTO

Vai acontecer na APDC

2018-10-31

Conferência da APDC, Portugal Agora e MTW

2018-11-13

No âmbito do ciclo "Powering the Digital Economy"