CE quer investir mil milhões em supercomputadores

2018-01-12 Bruxelas quer avançar com a construção de uma infraestrutura europeia de supercomputadores de craveira mundial, num valor estimado em mil milhões de euros. O projeto será desenvolvido em conjunto com os estados-membros, considerando-se crucial para a competitividade e a independência da UE na economia dos dados.

Sendo que o tratamento de quantidades cada vez maiores de dados requer supercomputadores, estes são valiosos para a sociedade em muitos domínios, desde os cuidados de saúde e as energias renováveis à segurança dos veículos e à cibersegurança, avança-se em comunicado.

Mas o diagnóstico atual não é famoso na Europa. “Cada vez mais, a indústria e os cientistas europeus tratam os seus dados fora da UE, porque a capacidade de computação disponível na União não é suficiente para satisfazer as suas necessidades de cálculo. Esta falta de independência compromete a privacidade, a proteção dos dados, os segredos comerciais e a propriedade dos dados, em particular os das aplicações sensíveis”, considera a CE.

O plano será concretizado através de uma nova estrutura jurídica e de financiamento, a EuroHPC, uma empresa comum que vai adquirir, desenvolver e implantar em toda a Europa uma infraestrutura de computação de alto desempenho (HPC) e de craveira mundial. Esta empresa apoiará ainda um programa de investigação e inovação para o desenvolvimento de tecnologias e equipamento informático, bem como de aplicações que possam funcionar nesses supercomputadores.

A CE dará uma contribuição de cerca de 486 milhões de euros, inseridos no âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual. A esta verba acrescerá as contribuições dos estados-membros e de países associados, de montante total semelhante, com Bruxelas a prever que até 2020 o investimento público ascenda a cerca de mil milhões de euros. Poderão ainda juntar-se contribuições em espécie das entidades privadas participantes na iniciativa.

“Os supercomputadores são o motor da economia digital. Nesta dura competição, a UE está a ficar para trás: nenhum dos nossos supercomputadores figura na lista dos 10 melhores do mundo. Com a iniciativa EuroHPC, queremos dar aos investigadores e às empresas, até 2020, uma capacidade de computação de vanguarda mundial, para que possam desenvolver tecnologias, como inteligência artificial, e conceber as aplicações quotidianas do futuro em áreas como a saúde, a segurança ou a engenharia”, diz Andrus Ansip, vice-presidente da CE responsável pelo Mercado Único Digital.

“Este é provavelmente um dos grandes exemplos que temos de valor acrescentado europeu. Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa sozinha conseguiria fazer o que estamos a fazer aqui, hoje. Os supercomputadores vão revolucionar a aprendizagem automática, o dito 'machine learning', e essa aprendizagem vai revolucionar a própria ciência. E acredito que esta iniciativa pode multiplicar os efeitos e resultados de um programa fantástico como o Horizonte 2020”, acrescenta Carlos Moedas, comissário responsável pela investigação, ciência e inovação.

Segundo o comunicado, a HPC será o instrumento essencial para compreender e dar resposta aos grandes desafios societais e científicos, como a deteção precoce e o tratamento de doenças, ou o desenvolvimento de novas terapias baseadas na medicina personalizada e de precisão. Será ainda utilizada para a prevenção e gestão de catástrofes naturais de grande dimensão, nomeadamente para a previsão das trajetórias dos furacões e para a simulação de terramotos.

Do plano consta a aquisição e utilização de duas máquinas de supercomputação a pré-exaescala de craveira mundial e de, pelo menos, duas máquinas de supercomputação intermédias (capazes de efetuar cerca de 1016 operações por segundo) e a concessão e gestão do acesso de um largo espectro de utilizadores públicos e privados a estes supercomputadores a partir de 2020.

Através da HPC será ainda desenvolvimento um programa de investigação e inovação, com o apoio ao desenvolvimento de tecnologias europeias de supercomputação, incluindo a primeira geração europeia de tecnologia de microprocessadores de baixo consumo energético, bem como à conceção colaborativa de máquinas à exaescala europeias.
Prevê-se que a empresa seja formalmente criada em 2019, assim como membros privados das universidades e da indústria. Está aberta ainda à entrada de outros interessados.

2018-06-18 | Atualidade Nacional

Antes da decisão final da AdC que deveria chumbar operação


Um total de 550 milhões de dólares por 1% do capital


Oferta de gigante de comunicações é de 65 mil milhões de dólares


2018-06-18 | Breves do Sector

Com um novo espaço no Porto e uma equipa reforçada para toda a região


2018-06-14 | Breves do Sector

Para responder às necessidades das empresas dentro e fora do escritório