ONU alerta: fosso digital no Mundo é cada vez maior

2019-09-06
É preciso encetar esforços globais concertados para expandir rapidamente os benefícios da economia digital a todo o mundo. O alerta vem do mais recente relatório das Nações Unidas, que salienta o fosso que continua a persistir entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento e o facto da economia digital a muito concentrada nos Estados Unidos e na China. Se não forem tomadas medidas, o gap entre os países híper-digitalizados e os pouco digitais será cada vez maior.

Segundo o novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o ‘Digital Economy Report 2019’, que analisa o fluxo, os dados e os valores na economia digital global, os Estados Unidos e a China são responsáveis por 75% de todas as patentes relacionadas com a tecnologia blockchain, 50% dos gastos globais na Internet das Coisas (IoT), mais de 75% do mercado de cloud e 90% do valor de capitalização de mercado das 70 maiores empresas de plataformas digitais do mundo. Já os países da África e da América Latina estão muito pouco desenvolvidos em termos digitais.

“Precisamos de trabalhar para combater o digital divide. Mais da metade do mundo tem acesso limitado ou inexistente à Internet e a inclusão é essencial para a construção de uma economia digital que traga resultados para todos”, refere no relatório o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O relatório dá especial atenção à evolução dos dados e às plataformas digitais, considerados os principais fatores de criação de valor na economia digital. Assim, o tráfego IP verificou um crescimento dramático: em 1992 era de cerca de 100 GB por dia, em 2017 passou para mais de 45.000 GB por segundo. E “o mundo está apenas nos primeiros dias da economia baseada nos dados”, com o estudo a prever que em 2022 o tráfego IP a nível mundial atinja 150.700 GB por segundo.

Um aumento de tráfego que reflete o crescimento do número de pessoas que utilizam a Internet e as novas tecnologias de fronteira, como a análise de dados, a inteligência artificial (IA), a impressão 3D, a IoT, a automação e robótica e a cloud.

No que respeita às plataformas digitais, destaca-se que as empresas que apostam neste sistema têm uma grande vantagem na economia baseada em dados, já que atuam “como intermediários e como infraestruturas”, posicionando-se para registar e extrair dados relacionados a ações, interações e transações online realizadas pelos utilizadores.

Estima-se que 40% das 20 maiores empresas do mundo em capitalização de mercado apresentavam em 2018 um modelo de negócio baseado em plataformas digitais, com estas sete "super plataformas" - Microsoft, Apple, Amazon, Google, Facebook, Tencent e Alibaba – a representarem dois terços do valor total de mercado das 70 principais plataformas. O valor combinado das empresas de plataformas em termos de capitalização bolsista era de mais de 7 biliões de dólares em 2017, cerca de 67% mais que em 2015.

O trabalho destaca que as várias plataformas tèm vindo a dominar em mercdados específicos. Assim, é à Google a quem pertence cerca de 90% do mercado de pesquisas na internet, enquanto o Facebook está em vantagem no mercado das redes sociais, sendo a principal plataforma em mais de 90% das economias do mundo.

Já na China, o WeChat, da Tencent, tem mais de mil milhões de utilizadores ativos e a sua solução de pagamentos e a Alipay, da Alibaba, conquistaram quase todo o mercado chinês de pagamentos através de dispositivos móveis. No comércio eletrónico, a Alibaba detém 60% do mercado de comércio eletrónico chinês.

Mais: destaca-se que as empresas estão a consolidar agressivamente as suas posições competitivas, incluindo através da compra de concorrentes e da expansão para produtos e serviços complementares, exercendo influência sobre os círculos políticos e regulatórios domésticos e internacionais e estabelecendo parcerias estratégicas com multinacionais líderes de setores tradicionais, como automóvel, semicondutores e indústria de retalho.

O relatório destaca que o domínio destas plataformas digitais globais, o controle dos dados e a capacidade de criar e capturar valor acentuam a concentração e a consolidação, em vez de reduzir as desigualdades entre países e dentro dos países.

Por isso, os países em desenvolvimento correm o risco de se tornar meros fornecedores de dados brutos e se o problema não for abordado, o fosso face aos países hiper-digitalizados aumentará e as desigualdades serão exacerbadas. “Quebrar esse círculo vicioso exige ideias fora da caixa. Um dos caminhos é encontrar uma configuração alternativa da economia digital que leve a resultados mais equilibrados e a uma distribuição mais justa dos ganhos com os dados e a inteligência digital”, refere-se.

Os governos terão um papel crítico na formação da economia digital, já que são eles que definem as regras do jogo. Terão assim de saber adaptar as políticas, leis e regulamentos existentes.

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