Falta de talento digital é a grande preocupação nas empresas

2019-06-11 Um total de 79% dos líderes de opinião em digital está preocupado com a falta de investimento das empresas na experiência digital dos seus clientes, atendendo à elevada adesão dos consumidores nacionais a soluções de mobilidade. E para 74%, há um problema grave de falta de recursos humanos com as competências necessárias para dar resposta aos desafios colocados pela revolução digital, sendo este um tema preocupante, mostra o ‘Observatório EY: Portugal Digital’.

Este estudo faz uma análise dos comportamentos dos consumidores portugueses e da economia digital em Portugal. As principais conclusões, apresentadas na Conferência Beyond the Future, mostram que globalmente os líderes de opinião em digital têm uma perceção favorável da estratégia do Governo para o digital. Mas consideram que a economia nacional está atrasada relativamente a outros países desenvolvidos. Cerca de 74% dos entrevistados considera que os gestores de topo não têm conhecimento suficiente sobre experiências digitais para que possam identificar as oportunidades que existem e definir estratégias de sucesso suportadas no digital.

Relativamente aos hábitos digitais dos consumidores portugueses, 86% usa regularmente smartphones ou tablets na rua, na casa de banho e também enquanto vê televisão, sendo que 28% assume-se dependente dos smartphones – dados estes verificados maioritariamente no quotidiano dos mais novos, utilizando os smartphones desde que acordam até irem dormir.

“Este estudo mostra-nos que a maioria dos portugueses já adotou um estilo de vida digital, utiliza intensivamente dispositivos móveis e procura incessantemente conteúdos online, particularmente através das redes sociais, mas também já com interesse no comércio eletrónico”, comenta Bruno Padinha, EY Advisory Leader.

Apurou-se também que apesar de 1/3 confirmar efeitos adversos qualidade do sono, os consumidores assumem que o digital tem um impacto muito positivo nas suas vidas. No entanto, 65% considera que o assédio e o trolling online (cyberbullying) apresentam níveis preocupantes, indiciando um elevado número de experiências online negativas.

Os portugueses são céticos quanto ao grau de modernidade da economia digital, com 45% a acreditar que Portugal está ligeiramente ou muito atrasado face a outros países desenvolvidos. Apenas 32% avalia positivamente a experiência digital na relação com o Estado e serviços públicos, destacando-se pela positiva a relação online com a Administração Tributária, avaliada positivamente por 46% da amostra.

O estudo revela ainda que os consumidores são globalmente exigentes quanto ao que esperam das suas experiências digitais, com mais de 80% a considerar 14 atributos distintos como importantes para uma experiência com qualidade. Essa exigência obriga a uma atenção redobrada das empresas e do Estado na forma como asseguram interatividade e sofisticação na sua presença online.

Ainda assim, a utilização de meios de pagamento pelos portugueses denota algum conservadorismo, com uma utilização pouco expressiva de homebanking ou de modalidades de pagamento inovadoras, como o MBWay ou os cartões contactless.
 

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