TDT está muito aquém das expetativas iniciais

2018-01-17 A TDT em Portugal tem ficado, em termos comerciais e de oferta de serviços, aquém do que eram as expetativas iniciais da plataforma e em comparação com a situação dos restantes parceiros europeus. E se o atual caminho se mantiver, a penetração deste serviço continuará a cair, ficando resumida “às populações de menor rendimento disponível, do interior e com menos apetência tecnológica”. O alerta vem de um estudo divulgado pela Anacom, onde se refere ainda o “claro conflito de interesses” da MEO, detentora da rede da TDT e de uma plataforma de conteúdos concorrente.

O “Estudo sobre alargamento adicional da oferta de serviços de programas na televisão digital terrestre (TDT)”, liderado pelo regulador setorial das comunicações que lançou um concurso público para o efeito, foi realizado pela Leadership Business Consulting, em parceria com a LS Telcom e a DLA Pipper.

Nele, foi feita uma análise global da situação da TDT em Portugal, projetando um conjunto de modelos futuros para o seu desenvolvimento, com base na análise e aprendizagem do contexto nacional, assim como da identificação das lições aprendidas e melhores práticas que foram encontradas noutros países europeus.

Nas suas conclusões, estre trabalho adianta que “em termos do operador de TDT, não parece possível que o atual detentor do DUF (a MEO, da PT/Altice) tenha qualquer incentivo para o alargamento da oferta, a introdução de novos canais e serviços ou a valorização da plataforma no seu todo. Isto porque o modelo de negócio definido (em termos das regras de pricing) e o seu claro conflito de interesses (por ser também detentor de uma plataforma concorrente) assim o determinam”.

O trabalho destaca que nos poderes públicos há “uma clara vontade de avançar para o alargamento da oferta e a introdução de novos serviços que potenciem o serviço da TDT e vão mais ao encontro das expetativas criadas por esta plataforma, quando foi introduzida. O problema é que o cenário de contenção orçamental nacional e a fraca capacidade de investimento público. Uma forma de ultrapassar esta situação será a verba que poderá resultar “da venda do dividendo digital 2, com a libertação das frequências da faixa dos 700 MHz para outras atividades”.

Fazendo uma avaliação da cadeia de valor, o trabalho pondera os impactos nos seus diversos segmentos. Assim, as mudanças evidentes nos hábitos da visualização de televisão dos consumidores podem ser vistas “como uma ameaça ou uma oportunidade”. Com a opção crescente pela visualização não linear de conteúdos, “que as outras plataformas alternativas apresentam de uma forma massiva”, sugere-se que a TDT deveria equacionar a apresentação de uma oferta competitiva com a inclusão desta funcionalidade, ao mesmo tempo que terá que apresentar ofertas atrativas para as novas gerações. A mobilidade é outra das ofertas que podem ser desenvolvidas na plataforma da TDT ou a oferta de pacotes que combinem tv e internet (em parceria com operadores de banda larga).

O estudo considera que a TDT se encontra numa “encruzilhada”, podendo-se adotar dois caminhos: ou a manutenção do status quo ou a aposta na TDT como plataforma alternativa de futuro. No primeiro caso, o cenário de investimento será reduzido e a penetração será cada vez menor.  Não se aconselham aqui quaisquer atualizações tecnológicas, tendo em conta que a plataforma atual é suficiente para a oferta de serviços, e a continuidade da MEO como titular do DUF parece ser uma opção menos onerosa para a continuidade do serviço. Mas dentro de alguns anos terá que sea valiar a pertinência de manter o broadcasting face a outros meios de difusão do serviço de televisão.

Já o segundo caso, de aposta na TDT como plataforma alternativa de futuro, implicará “a quebra de algumas condições do status quo de forma a que a TDT possa ser uma verdadeira plataforma alternativa”. Terá que haver interesse do mercado e a criação de um quadro legal e regulatório adequado, para que a atratividade desta atividade seja uma realidade. Uma atualização tecnológica para DVB-T2, que acomode uma nova oferta de canais e de serviços, e aa alteração do modelo de negócio serão também necessários. Nomeadamente com a “clara separação entre a transmissão e a agregação de conteúdos.  Ter novos conteúdos pagos e competitivos com as outras plataformas. É também considerado essencial, tal como a análise dos “conflitos de interesse da MEO”.

Entretanto, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, avançou que o Governo deverá avançar com concursos para lançamento de dois canais privados de televisão. Numa audição parlamentar, o governante considerou que depois de resolvido o ‘impasse’ na (Entidade Reguladora da Comunicação Socia (ERC), com a nomeação do seu conselho regulador, há agora condições para avançar este ano com os concursos de atribuição de duas licenças para canais privados no âmbito do processo de concessão da TDT.
 

2018-02-16 | Atualidade Nacional

Empresa rno grupo de empresas com certificação


Impulsionada pelo crescimento exponencial da Oracle Cloud


Decisão final fica para os accionistas da empresa


2018-02-16 | Breves do Sector

Solução recorre à Internet das Coisas


2018-02-15 | Breves do Sector

Primeira estação televisiva no mundo com sistema de vídeo árbitro