Evento APDC

16.07
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No âmbito do Encontro Ciência e Inovação 2026, da nova AI²

APDC apresenta nova proposta de requalificação para a era da IA

A APDC apresentou, no âmbito do Encontro Ciência e Inovação 2026, o primeiro grande evento da nova AI², uma proposta de criação de uma infraestrutura nacional de requalificação para a era da IA. O projeto propõe uma evolução do modelo do Programa UPskill, uma parceria da Associação com o Estado e a Academia para a formação de desempregados nas áreas TIC, para uma nova plataforma de capacitação em IA. Assenta em tecnologia soberana em português europeu, cientificamente validada pelas instituições de ensino superior e desenvolvida em articulação entre Academia, empresas e Estado.

O projeto da APDC, intitulado "Capacitar Portugal para a economia da IA", foi aceite na sessão temática "Digital: IA, dados e quântica". A organização do evento refere que foi realizada uma chamada para apresentação de propostas de temas, que registou uma adesão muito significativa por parte da comunidade científica e de inovação. Entre 26 demaio e 16 de junho foram submetidas 206 propostas, tendo sido aprovadas 169, organizadas em 6 macroáreas e distribuídas por 20 sessões. 
A proposta da APDC, apresentada por Manuel Garcia, coordenador Nacional do UPskill, parte de uma constatação central: Portugal continua a registar um défice estrutural de produtividade face à média europeia e a transição para uma economia baseada em IA pode agravar as desigualdades se não for acompanhada por mecanismos robustos de formação e requalificação. Ao mesmo tempo, esta transformação representa uma oportunidade para acelerar a modernização económica e social do país.

A ambição é criar uma academia, provisoriamente denominada AcademiaIA², num modelo escalável, capaz de preparar trabalhadores, empresas e organizações para uma adoção crítica, eficaz e inclusiva das ferramentas de IA. A iniciativa representa uma evolução natural do UPskill, programa criado pela APDC, em representação das empresas TIC, em parceria com o IEFP e instituições de ensino superior. Já permitiu requalificar cerca de dois mil profissionais para o setor das tecnologias de informação e comunicação. Com a AcademiaIA², a proposta passa de um modelo focado na entrada no setor TIC para uma abordagem mais ampla, contínua e orientada para a transformação da economia pela IA.

No centro da proposta uma plataforma, denominada preliminarmente por ADAMASTOR, concebida como uma infraestrutura de requalificação suportada por IA. A solução deverá basear-se num modelo de linguagem nacional, como o AMÁLIA, e numa arquitetura RAG, permitindo combinar aprendizagem personalizada, conteúdos validados pelas instituições de ensino superior e mecanismos de mitigação de erros ou "alucinações" dos modelos. O objetivo é garantir formação em português europeu, com rigor científico e adaptação aos contextos de cada setor, empresa e realidade profissional.

A proposta prevê uma combinação entre tutor inteligente e mentoria humana. A tecnologia deverá apoiar percursos personalizados de aprendizagem, mas a validação, acompanhamento e orientação ficarão assegurados pelas instituições de ensino superior, reforçando a ligação entre conhecimento científico, necessidades empresariais e capacitação prática dos trabalhadores.
Numa primeira fase, a AcademiaIA² deverá estruturar-se em três eixos de capacitação. O primeiro mantém a lógica de entrada no setor TIC, permitindo requalificar pessoas para áreas tecnológicas com procura no mercado. O segundo visa especializar profissionais TIC em inteligência artificial. O terceiro, considerado central, destina-se a formar profissionais de qualquer setor na análise de processos e na adoção crítica e eficaz de ferramentas de IA, com o objetivo de aumentar a produtividade sem exigir que todos se tornem programadores.

Considera-se que este último eixo é particularmente relevante para o tecido empresarial português. A adoção da IA não depende apenas de especialistas tecnológicos, mas também de gestores, técnicos e trabalhadores capazes de identificar processos que podem ser simplificados, automatizados ou redesenhados. A proposta da APDC procura precisamente colocar a IA ao serviço da produtividade, da modernização organizacional e da qualificação do trabalho.

Para a APDC, esta participação no Encontro Ciência e Inovação 2026 é também uma forma de levar a voz da indústria para o debate sobre as prioridades estratégicas de investigação e inovação em Portugal. Os resultados deste processo deverão contribuir para orientar as prioridades nacionais de financiamento à investigação e inovação nos próximos cinco anos, tornando essencial que a dimensão empresarial e a requalificação de competências estejam no centro da discussão.
O impacto esperado passa por ganhos de produtividade, valorização do conhecimento científico nacional, reforço da empregabilidade e criação de mecanismos inclusivos de requalificação. A proposta procura assegurar que a transição para a IA não se traduz numa nova clivagem entre quem domina a tecnologia e quem fica à margem dela.

A experiência do UPskill demonstrou que a colaboração entre empresas, instituições de ensino superior e setor público pode produzir resultados concretos na requalificação de talento. A nova proposta pretende agora levar esse modelo para a era da inteligência artificial, criando uma infraestrutura nacional capaz de preparar trabalhadores e organizações para uma economia em rápida transformação.

 


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2026-09-15

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2026-09-17

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