O Programa UPskill - Digital Skills & Jobs iniciou oficialmente as ações de formação da sua 5.ª edição, numa cerimónia realizada na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). O Governo, a APDC, o IEFP e as Instituições de Ensino Superior (IES) parceiras sublinharam o papel estratégico da requalificação digital para responder às necessidades crescentes de talento tecnológico no país.
Ao longo das quatro edições anteriores, o UPskill já formou mais de duas mil pessoas, em 20 áreas tecnológicas distintas, envolvendo mais de 100 empresas, 13 IES e 127 ações de formação realizadas em várias regiões do país. Nesta 5.ª edição, o programa avança com oito ações de formação, que envolvem nove empresas - Axians, DXC, Minsait, Critical Networks, Inetum, NTT DATA, Deloitte, Nibelis e Jolera - e quatro IES: ISCTE, FCUL, Politécnico do Porto e Instituto Politécnico do Cávado e do Ave. No total, 120 formandos vão frequentar uma formação intensiva que combina ensino em contexto académico com prática em ambiente empresarial.
Nesta iniciativa, o secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, destacou a transformação profunda que está a ocorrer no mercado de trabalho em Portugal e na Europa. Sublinhando que o país vive hoje níveis historicamente elevados de emprego e uma taxa de desemprego muito baixa, o governante alertou para a necessidade de alinhar a economia com a capacidade formativa instalada: "os nossos jovens, e menos jovens, com ensino superior em Portugal são procurados em todo o mundo. O problema já não é a qualificação, é a economia não conseguir acompanhar o ritmo da nossa ‘indústria de ensino superior'. Precisamos de acelerar a economia para aproveitar a 100% o talento que formamos."
Para o secretário de Estado, o digital já é o "novo básico" na Europa, com a inteligência artificial (IA) a afirmar-se como o foco central da próxima fase de transformação. Como referiu, "na Europa, o digital já não é um tema em si mesmo, é um pressuposto. O novo desafio chama-se IA e que está a atravessar toda a atividade económica. Programas como o UPskill são fundamentais para garantir que essa transformação não deixa ninguém para trás."
Destacou ainda a importância de responder à longevidade no trabalho e à crescente mobilidade laboral intra e extra-europeia, realçando que a requalificação contínua será decisiva para manter a competitividade dos trabalhadores e das empresas.
MODELO DE COOPERAÇÃO DE SUCESSO
Já o presidente do IEFP, Domingos Lopes, sublinhou o UPskill como exemplo de um novo modelo de cooperação entre Estado, Empresas e Academia, centrado em respostas rápidas e alinhadas com as necessidades do mercado. "Este programa é expressão clara do compromisso do IEFP com a formação profissional, em articulação com as empresas e com as IES. É uma parceria que traduz bem o que queremos para o futuro: respostas ágeis, focadas nas competências digitais de que a economia efetivamente precisa", salientou.
Recordando que o UPskill assenta num modelo de cofinanciamento e de corresponsabilização, Domingos Lopes enfatizou o carácter inovador do compromisso assumido pelas empresas participantes. "As empresas não só ajudam a desenhar os perfis e os conteúdos formativos, como assumem o compromisso de contratar pelo menos 80% dos formandos que concluam o programa com sucesso. É formação ligada à realidade, com um vínculo direto ao emprego", disse.
O responsável frisou ainda que este tipo de projeto mostra como a articulação entre políticas públicas de emprego, instituições de ensino e setor empresarial pode acelerar a transformação dos setores de atividade, começando pelo digital e podendo, no futuro, ser replicada noutros domínios.
Para o presidente da APDC, o UPskill responde diretamente a dois problemas estruturais da economia portuguesa: a fraca dimensão média das empresas e o baixo valor acrescentado. "Temos uma economia de baixos salários porque continuamos a produzir, em grande parte, produtos e serviços de baixo valor acrescentado. A única forma de inverter isto é apostar em competências digitais avançadas e requalificar pessoas à velocidade a que a tecnologia está a mudar", afirmou Rogério Carapuça.
UM PROGRAMA DE 'ENCONTRO' DE VONTADES
O presidente da APDC sublinhou que o programa não se limita a oferecer formação tradicional, nem a investir em novos edifícios ou infraestruturas. "O UPskill não é um projeto de ‘betão', nem um programa de formação em abstrato. É um encontro entre quem quer mudar de vida, instituições de ensino superior que já têm capacidade instalada para a formação e empresas que têm vagas concretas para preencher", destacou.
E lembrou ainda que o programa se dirige não só a desempregados, mas também a pessoas subaproveitadas profissionalmente, que procuram uma verdadeira reconversão: "as empresas dizem-nos, recorrentemente, que valorizam muito os profissionais que vêm do UPskill. São pessoas que decidiram mudar de vida, agarram a oportunidade e constroem carreiras muito consistentes no digital."
Na intervenção de balanço e enquadramento, o coordenador nacional do Programa UPskill, Manuel Garcia, falou da evolução do projeto desde 2021 e o modo como é, edição após edição, tem vindo a ser ajustado à dinâmica do mercado: "o objetivo é que nunca existam duas edições iguais. Em cada edição revemos os programas formativos, introduzimos novas áreas, ajustamos conteúdos. O mercado é dinâmico e este programa tem de o acompanhar."
Os números das cinco edições do UPskill representam, para Manuel Garcia, traduzem uma responsabilidade crescente: "quando olhamos para estes resultados, percebemos que temos a obrigação de pensar já no futuro. O acordo atual, para mais três edições, termina em 2026, mas o desafio permanece: a economia portuguesa precisa de crescer em salários, e isso só se faz com mais produtividade. E a produtividade ganha-se com tecnologia e com pessoas qualificadas."
O coordenador nacional insistiu na importância da aprendizagem ao longo da vida e da requalificação dentro das próprias empresas, especialmente num contexto marcado pela inteligência artificial e pela transformação digital acelerada. É que "já não há empregos para a vida, mas há um princípio que não mudou: sem pessoas, não há transformação. Precisamos de pessoas com qualificações diferentes, capazes de trazer a tecnologia para dentro das empresas e de a usar para criar mais valor. É esse o trabalho que o UPskill procura apoiar."
Com o ínicio das formações da 5.ª edição, arrancam também os trabalhos preparatórios da 6.ª edição, que será a última no âmbito do acordo de renovação assinado em dezembro de 2023. As empresas de todos os setores de atividade poderão apresentar as suas necessidades de talento qualificado já no 1.º trimestre de 2026, independentemente de serem ou não associadas da APDC.
PROGRAMA 09h30 | Boas-vindas |
Executive Breakfast APDC com Capgemini