Portugal esteve na linha da frente da revolução das comunicações móveis na Europa. Foi pioneiro no GSM, lançou marcas que se tornaram referências internacionais e criou um ecossistema de inovação que colocou o país vários anos à frente de muitos mercados europeus.
Este episódio de ‘Como era o Futuro' revisita esse período com um dos seus principais protagonistas: António Coimbra. Engenheiro de formação, construiu uma carreira de mais de três décadas no setor das telecomunicações. Fundador da Telecel, foi ainda CEO da Vodafone Portugal e da Vodafone Espanha, líder internacional no grupo Vodafone e figura central em alguns dos momentos mais marcantes da liberalização e crescimento do móvel em Portugal.
Na conversa com Rogério Carapuça, regressa a 1992 - um ano decisivo para o país - quando o lançamento da Telecel representou uma verdadeira rutura com o modelo existente. Portugal foi um dos primeiros países da Europa a lançar o GSM, e as previsões apresentadas no concurso público, consideradas "excessivamente ambiciosas" na altura, acabariam por ficar muito aquém da realidade. O que parecia irrealista revelou-se conservador face à explosão do mercado móvel.
António Coimbra descreve o ambiente de inovação permanente que marcou os anos 90: decisões rápidas, equipas pequenas, forte foco em marketing e diferenciação e uma cultura de experimentação constante. Recorda como foi possível montar uma operação nacional em poucas semanas, criar canais de venda praticamente do zero e lançar abordagens de marketing que impressionaram investidores internacionais, no momento do IPO da Telecel.
A conversa aborda a transição para a Vodafone e o desafio de construir, pela segunda vez em poucos anos, uma marca forte e distintiva em Portugal, agora integrada num grupo global. O sucesso foi evidente, com a Vodafone Portugal até a ser considerada como a "joia da coroa" do grupo, não pela dimensão do mercado, mas pela capacidade de inovação, diferenciação e níveis de satisfação dos clientes.
Já na análise das suas responsabilidades no grupo Vodafone, fala da experiência no Japão, caso claro de insucesso estratégico e uma lição sobre a importância da adaptação cultural, da compreensão dos mercados locais e dos riscos de aplicar modelos globais de forma indiferenciada.
Numa perspetiva mais crítica, reflete sobre a evolução recente do setor na Europa e em Portugal. Alerta para os efeitos de uma hiperconcorrência focada no curto prazo, a fragmentação excessiva do mercado europeu e a dificuldade crescente em garantir sustentabilidade económica e capacidade de investimento nas infraestruturas digitais. Com a Europa a perder terreno face a outros blocos globais.
A conversa termina com uma questão central: o que aconteceu ao país que liderou do 2G ao 3G e foi referência internacional em inovação móvel? Mais do que nostalgia, este episódio é um convite à reflexão estratégica sobre o futuro das comunicações e o papel que Portugal e a Europa podem e devem assumir na próxima fase da transformação digital. Uma conversa imperdível!
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