A história recente dos media e das comunicações em Portugal cruza-se com algumas das maiores transformações políticas, tecnológicas e empresariais do país. Da abertura da comunicação social, nos pós- 25 de abril à modernização da RTP, passando pela televisão por cabo e pelos desafios da inteligência artificial, Daniel Proença de Carvalho protagonizou vários desses momentos.
É precisamente esse percurso que revisita na conversa com Rogério Carapuça, neste novo episódio do "Como Era o Futuro".
Ao recordar a sua passagem pelo Governo, explica que a principal preocupação era promover um maior pluralismo numa comunicação social fortemente condicionada pelo contexto político da época. Mais tarde, na presidência da RTP, encontrou uma empresa que emitia apenas algumas horas por dia e iniciou um processo de modernização que marcou uma geração de portugueses.
Durante a conversa destaca algumas das mudanças que ajudaram a transformar a televisão pública: o alargamento do horário de emissão, o lançamento do "Bom Dia Portuga"l, a aposta na produção nacional e o incentivo à primeira telenovela portuguesa, a "Vila Faia", que abriu caminho ao desenvolvimento da ficção televisiva nacional.
Outro momento marcante foi a liderança da PT Multimédia, mais tarde transformada na ZON e hoje NOS. Daniel Proença de Carvalho recorda os primeiros passos da televisão por cabo e o início da concorrência, num mercado até então dominado por um único operador, num processo que contribuiu para diversificar a oferta de conteúdos e acelerar a evolução tecnológica.
A conversa estende-se aos desafios atuais. O ex-presidente da RTP alerta para o impacto económico das plataformas digitais sobre os meios de comunicação tradicionais e para os riscos associados à desinformação e à utilização da inteligência artificial. Na sua perspetiva, a tecnologia oferece oportunidades extraordinárias, mas exige maior literacia, pensamento crítico e novas formas de preparar cidadãos e instituições para um ambiente mediático cada vez mais complexo.
Mais do que um testemunho histórico, este episódio é uma reflexão sobre a evolução dos media portugueses e sobre o equilíbrio entre inovação tecnológica, liberdade de informação e responsabilidade democrática.