Neste 7.º episódio de Como era o Futuro, Rogério Carapuça conversa com Iriarte Esteves, uma das figuras-chave na construção do setor das telecomunicações em Portugal. Com um percurso que passa pelos CTT, pela Telepac e pela TMN, revisita uma época em que o país estava longe dos padrões europeus, mas já estava a começar a preparar a grande aceleração.
Quando assumiu funções de liderança nos CTT, encontrou uma organização marcada por décadas de carência de recursos humanos e de visão empresarial. A mudança começou com a entrada de centenas de quadros qualificados e com uma reorganização estrutural profunda: a área técnica ganhou dimensão empresarial, com planeamento, gestão financeira e sistemas de informação integrados.
O atraso era evidente. A densidade telefónica rondava os 17 telefones por 100 habitantes, quando na Europa já ultrapassava os 40. Ainda assim, avançou-se com um plano ambicioso, o Plano 2000, que hoje parece ingénuo, mas que foi decisivo para criar capacidade, visão e escala. As previsões falharam, mas falharam porque o crescimento foi muito superior ao esperado.
A integração europeia surge como ponto de viragem. O trabalho intenso em Bruxelas e o acesso a programas de cofinanciamento permitiram acelerar a digitalização da rede, a introdução da fibra ótica e o desenvolvimento das comunicações de dados. Foi este impulso que preparou o país para a internet e para a economia digital.
Na Telepac, a conversa revela como os serviços de dados e a internet começaram a ganhar escala, com o lançamento do Netpac e uma rápida adesão do mercado. E na TMN, surge uma das inovações mais marcantes da história das telecomunicações mundiais: o pré-pago. Desenvolvido em Portugal, o Mimo eliminou contratos, reduziu barreiras de entrada e democratizou o acesso ao telemóvel. O impacto foi imediato e massivo. E o modelo acabou por ser exportado para vários mercados internacionais.
A conversa aborda ainda a internacionalização da Portugal Telecom, a transferência de tecnologia e de modelos de gestão para países como o Brasil e vários mercados africanos, num dos raros exemplos de know-how nacional exportado com sucesso.
Uma conversa que mostra como o futuro se constrói quando visão, capacidade técnica e execução se encontram no momento certo!
Assista já ao episódio completo.
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