No 14.º episódio de "Como Era o Futuro", Rogério Carapuça entrevista Mário Vaz, numa conversa que atravessa mais de três décadas de transformação nas telecomunicações, e projeta os desafios do digital.
A viagem começa em 1992, num mercado praticamente inexistente. "Aquilo nem era bem um setor (...) foi a construção de um setor", recorda. A chegada da Telecel marcou uma rutura tecnológica e cultural, introduzindo o GSM e um novo paradigma de serviço.
Mas o desafio era real: "as pessoas diziam ‘isso, walkie-talkies nós não queremos'". A inovação era constante. "Tudo era novo: o gravador, a fatura detalhada, o apoio ao cliente." Este dinamismo, aliado à concorrência, forçou a evolução do operador incumbente e acelerou a modernização do setor. "Viemos desafiar a Portugal Telecom (...) isso obrigou-a a mexer-se."
Com o tempo, o setor amadureceu. A fase seguinte trouxe convergência, escala e transformação digital. Já como CEO da Vodafone Portugal, Mário Vaz enfrentou um mercado mais competitivo e pressionado, mas sempre com foco no investimento e qualidade.
A experiência em Espanha revelou um alerta para a Europa: excesso de operadores e perda de valor. "Estamos a falar de cerca de 90 marcas (...) um exagero", afirma, defendendo que "é essencial que haja escala".
Hoje, o digital surge como oportunidade estratégica. "É um setor de relevância fundamental para o sucesso de Portugal". Com talento e infraestruturas, o país pode dar um salto: "como nos atrasámos nas revoluções anteriores, podemos agora dar o salto". A IA reforça essa transformação, exigindo ação coordenada, especialmente do Estado. "Pode ser esse motor", afirma Mário Vaz.