No 12.º episódio do "Como Era o Futuro", Rogério Carapuça conversa com Miguel Horta e Costa, uma das personalidades que esteve no centro de várias transformações estruturais nas telecomunicações e na economia portuguesa ao longo das últimas décadas.
A conversa começa nos CTT, onde iniciou a sua carreira e testemunhou um dos primeiros grandes processos de modernização do setor. "Tive realmente o privilégio de encontrar os Correios numa fase ainda um bocadinho antiquada e viver o que foi o grande turnaround." A introdução da mecanização e do código postal marcou uma mudança estrutural, transformando uma atividade tradicional num sistema mais eficiente e alinhado com padrões europeus.
Na SIBS, o desafio foi diferente, mas igualmente estruturante. A criação de um sistema de pagamentos com cobertura praticamente universal constituiu uma solução singular no contexto europeu. "A SIBS conseguiu ser [...] praticamente o sistema de pagamento universal em Portugal", numa abordagem integrada que simplificou a experiência dos utilizadores e criou uma base sólida para a evolução dos pagamentos eletrónicos no país.
Na Portugal Telecom, Horta e Costa viveu um dos períodos mais estratégicos do setor, com a privatização e a necessidade de crescimento internacional: "surgiu a importância de criar motores de crescimento [...] e daí a necessidade de internacionalizar". A entrada no Brasil, concretizada através de uma complexa articulação estratégica com parceiros internacionais, foi um dos momentos decisivos: "foi uma enorme vitória da Portugal Telecom". Um movimento que acabaria por evoluir para a criação da Vivo, consolidando a presença da empresa num dos maiores mercados de telecomunicações do mundo.
A passagem pelo Governo trouxe outro desafio: atrair investimento estrangeiro. Com uma abordagem estratégica, lançou a pergunta que viria a ter impacto duradouro: "porque não ir buscar a Ford?". O resultado foi a instalação da Autoeuropa, um marco industrial com impacto significativo no PIB nacional.
Ao longo da entrevista, emerge um padrão claro: visão estratégica, capacidade de execução e decisões em momentos críticos.
Mais do que uma retrospetiva, este episódio mostra como escolhas estruturais, nas telcos, sistemas financeiros ou política económica, podem gerar impacto duradouro e contribuir para reposicionar um país.