Há uma transição que está a redefinir a forma como a inteligência artificial é aplicada na indústria energética: sair da fase de experimentação e entrar na escala. Foi o foco da conversa de Nuno Moura Pinheiro, Head of Data & AI da DXC Technology, com Ana Teresa Neves, Head of Data & AI Delivery da Galp.
A gigante energética nacional já integra IA em múltiplas frentes do seu negócio: desde manutenção preditiva em refinarias até otimização de produção em renováveis e análise de consumo energético. No entanto, como explica Ana Teresa Neves nesta Live Talk, o verdadeiro ponto de viragem está agora a acontecer: "O que nós fizemos em 2025 foi muito provas de conceito e pilotos. Este ano temos um push muito grande para passarmos para a escala e para a produtização."
Esta mudança implica uma nova realidade operacional. A escalabilidade exige infraestrutura robusta, governação e controlo rigoroso dos dados. E é precisamente aqui que surge um dos maiores riscos da IA: "Garbage in, garbage out. Para conseguirmos ter os resultados que pretendemos em termos de inteligência artificial, temos que garantir que temos qualidade de dados robusta e efetiva."
Um dos exemplos mais concretos desta evolução na Galp é o desenvolvimento do Cyclops, solução interna que automatiza a extração e estruturação de informação a partir de grandes volumes de documentos, incluindo texto e imagens. O objetivo é simples, mas poderoso: transformar informação não estruturada em dados utilizáveis, acelerando processos que antes dependiam de leitura manual intensiva.
O Cyclops ilustra bem a passagem da experimentação para a industrialização da IA, não como um protótipo isolado, mas como uma ferramenta integrada no funcionamento da organização. Para suportar esta nova fase, a Galp está a investir num Enterprise Data Hub, que funciona como fonte única de verdade, garantindo rastreabilidade, auditoria e contexto para todos os modelos de IA.
Como refere Ana Teresa Neves: "Isto permite-nos ter auditabilidade, ter traceabilidade destes dados e ter algo muito relevante na inteligência artificial, que é o contexto."
Mas a transformação não é apenas tecnológica. É também organizacional e cultural. A estratégia inclui AI Champions nas várias unidades de negócio e equipas dedicadas à adoção e criação de valor, assegurando que a IA não fica confinada a equipas técnicas.
No centro desta abordagem está uma ideia clara: a IA só escala quando dados, tecnologia e pessoas evoluem em conjunto. No caso da Galp, essa transformação já está em curso, da experimentação para a industrialização, com impacto direto no negócio e na operação.
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