As telecomunicações vivem uma das maiores transformações da sua história. A automação das redes, impulsionada pela Inteligência Artificial e pela crescente complexidade operacional, está a redefinir a forma como os operadores gerem infraestrutura, serviços e experiência do cliente.
Esse foi o ponto de partida da conversa entre Ricardo Pinto, Customer CTO da Nokia, e Luís Cunha, Head of IP Transmission, Satellite and Submarine Cables da MEO, numa nova edição das Live Talks da APDC dedicada ao tema "Redes Autónomas: Uma jornada com oportunidades e desafios".
Ricardo Pinto contextualizou o tema com dados de um estudo do TM Forum, patrocinado pela Nokia, que revela que poucos operadores atingiram ainda níveis avançados de automação das redes. O objetivo passa por criar redes "autogeridas, auto-provisionadas e auto-otimizadas", reduzindo significativamente a intervenção humana.
Para Luís Cunha, esta evolução é inevitável:
"A automação e o facto de conseguirmos ter redes praticamente auto-operáveis, auto-configuráveis... é uma inevitabilidade em termos da evolução da nossa operação."
No entanto, o responsável da MEO alerta que esta transformação está longe de ser simples. A existência de infraestruturas legacy, a necessidade de atualizar sistemas de informação e a adaptação cultural das equipas são alguns dos principais desafios identificados.
"Nada disto existe sem as pessoas", sublinha Luís Cunha, destacando a importância da formação e da evolução das competências internas.
A conversa destacou também o papel central do backbone IP/MPLS na estratégia de automação da MEO. Luís descreveu esta infraestrutura como:
"a mãe de todas as redes".
Segundo explicou, praticamente todos os serviços - residenciais, empresariais e móveis - dependem desta camada crítica da rede.
Entre os principais objetivos do projeto desenvolvido em parceria com a Nokia estão:
• zero-touch provisioning;
• automação operacional;
• otimização contínua;
• melhoria da qualidade de serviço.
Apesar do foco tecnológico, Luís Cunha reforçou que o verdadeiro objetivo não é a automação em si:
"O foco tem que ser sempre no cliente. Nós não queremos a automação por si só."
A visão da MEO passa por atingir níveis avançados de redes autónomas nos próximos três a quatro anos, numa evolução que promete transformar profundamente o setor das telecomunicações.