Accenture: reforço da cultura empresarial passa por "experiências omniconectadas"

2022-06-30 Quase metade dos trabalhadores presenciais não se sentem interligados à sua organização. Já no caso dos que têm um modelo híbrido a percentagem desce para 36% e no modelo remoto para 22%. Os dados são de um estudo da Accenture, que aponta como caminho para o reforço da cultura corporativa e das relações interpessoais a oferta de "experiências omniconectadas". Só assim podem responder às necessidades do negócio e dos colaboradores, podendo mesmo alcançar um crescimento anual de receitas de 7,4% com esta aposta.
Denominado "Organizational culture: From always connected to omni-connected", este trabalho da Accenture revela que no momento em que os mercados de talento estão em ebulição e as organizações ainda estão a lidar com o impacto da pandemia de Covid-19, apenas uma em cada seis pessoas sente uma ligação efetiva e humana no trabalho. Mais: são os profissionais que trabalham on-site que se sentem menos envolvidos, o quo desafia a convicção de que trabalhar unicamente on-site faz com que as pessoas se sintam mais envolvidas.
Assim, as pessoas que trabalham em regime presencial, em comparação com aquelas que trabalham em locais de trabalho híbridos ou remotos, são as que se sentem menos interligadas dos três grupos estudados - 42% dos colaboradores on-site dizem que se sentem "não envolvidos" versus 36% dos híbridos e 22% dos que trabalham em modo totalmente remoto. O que mostra que, embora o contacto presencial seja vital, a proximidade física sem que exista apoio da liderança, flexibilidade, tecnologia ou sensação de propósito não se traduz necessariamente em profissionais que sentem uma ligação mais profunda com o seu trabalho e entre si.
Para as empresas poderem fortalecer a cultura corporativa e as relações interpessoais terão de disponibilizar o que o estudo chama de "experiências omniconectadas". Só assim poderão responder às necessidades do negócio e colaboradores, permitindo que as pessoas participem plenamente e tenham uma experiência equitativa - construindo as suas carreiras, estabelecendo relacionamentos e criando valor e impacto pessoal e profissional - independentemente de onde trabalham fisicamente.
Mais, com estas experiências, as empresas podem mesmo atingir um crescimento anual de receitas de 7,4%. A omniconexão também cria confiança, com 29% dos colaboradores omniconectados a afirmar que sentem mais probabilidade de sentir um nível mais profundo de confiança na sua organização. Além disso, estar omniconectado é responsável por 59% da intenção de um profissional de permanecer na empresa, e mais de 90% das pessoas omniconectadas dizem que podem ser produtivas em qualquer lugar.
"As pessoas e a cultura são as principais fontes de diferenciação competitiva das organizações e estão na base do crescimento. À medida que as pessoas reavaliam fundamentalmente a sua relação com o trabalho, os líderes têm a oportunidade de fortalecer a cultura corporativa olhando para além do espaço e do lugar. Ao criar experiências omniconectadas, os líderes colocam os relacionamentos em primeiro lugar e correspondem às diferentes prioridades para que cada pessoa possa trabalhar para atingir todo o seu potencial da forma que funciona para si - o que reforça a confiança e impulsiona os resultados de negócio", refere disse Ellyn Shook, chief leadership and human resources officer da Accenture.
O relatório inclui um caminho que os executivos C-level podem seguir para criar experiências omniconectadas que aumentam a produtividade, promovem maior retenção e impulsionam o crescimento da receita. Assim, devem começar por responder às necessidades humanas fundamentais. São identificadas quatro ações-chave que desbloqueiam valor - para os colaboradores e o negócio - através de experiências omniconectadas:
- Liderar de forma empática: Lidere, ouvindo primeiro, e seguindo o compromisso com ações. Quando as pessoas se sentem seguras para falar, devem ser ouvidas com empatia, compaixão e respeito. Ao comunicar com regularidade e transparência, os líderes podem reforçar a confiança da sua equipa.
- Cultivar a cultura empresarial: as pessoas que veem uma ligação clara entre o seu trabalho e o propósito da empresa estão mais envolvidas e realizadas. Os líderes podem reforçar essa ligação mostrando como as diferentes ideias e experiências são importantes para o sucesso da organização a longo prazo e criando um ambiente onde o bem-estar geral das pessoas é tido em conta.
- Promover uma organização ágil: as experiências omniconectadas ajudam as pessoas a serem produtivas onde quer que estejam. Os líderes precisam de redefinir a noção de flexibilidade para que se considere quando e como as pessoas trabalham melhor. A partir daí, podem criar estruturas de flexibilidade que sejam ágeis o suficiente para serem adaptáveis na resposta às necessidades em constante mudança num ambiente fluido.
- E capacitar as pessoas através da tecnologia: Construir uma base tecnológica robusta na cloud é o primeiro passo. O próximo é capacitar as pessoas para que experimentem e explorem tecnologias emergentes como o metaverso e dar-lhes autonomia para melhorar os seus próprios processos utilizando tecnologia e dados.
"Os líderes estão focados em aceder, criar e desbloquear todo o potencial dos seus colaboradores e estão a perceber que esta é uma oportunidade para reavaliar as suas culturas e formas de trabalho. Ao criar um ambiente onde o foco está na relação interpessoal, comunicação e promoção da confiança, os líderes estão a mostrar que o tempo e o talento dos seus profissionais é respeitado e valorizado, o que tem retorno em termos de receita e produtividade, segundo o nosso estudo", explica Christie Smith, global lead for Talent & Organization da Accenture. "

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