A Alphabet, empresa-mãe da Google, fechou o primeiro trimestre de 2026 com receitas de 109,9 mil milhões de dólares, mais 22% do que um ano antes. O período foi marcado pelo crescimento da pesquisa, a aceleração da Google Cloud e o aumento da monetização associada à inteligência artificial (IA). Em moeda constante, o crescimento foi de 19%, a 11ª subida trimestral consecutiva de dois dígitos da tecnológica.
Já o lucro operacional aumentou 30%, para 39,7 mil milhões de dólares, com a margem operacional a subir dois pontos percentuais, para 36,1%. O resultado líquido cresceu 81%, para 62,6 mil milhões de dólares. Foi anunciado um aumento de 5% no dividendo trimestral, para 0,22 dólares por ação.
Sundar Pichai, CEO da Google e da Alphabet, atribuiu o desempenho à estratégia de investimento na IA e à abordagem "full-stack", que combina infraestrutura, modelos, produtos de consumo, serviços empresariais e plataformas de desenvolvimento. Para o líder da big tech, os investimentos em IA estão a impulsionar diferentes áreas do negócio, desde a pesquisa até à cloud, passando por subscrições e produtos de consumo.
Na Pesquisa, as receitas de "Google Search & other" aumentaram 19%, para 60,4 mil milhões de dólares, num trimestre em que a Google afirma que as consultas atingiram um máximo histórico. O CEO destacou o impacto de experiências baseadas em IA, como o AI Overviews e o AI Mode, que estarão a contribuir para maior utilização da pesquisa. A Indicou ainda que, apesar da introdução de novas funcionalidades de IA, reduziu a latência da Pesquisa em mais de 35% nos últimos cinco anos.
A Google Cloud foi o principal motor de aceleração do trimestre. As receitas desta unidade cresceram 63%, para 20 mil milhões de dólares, ultrapassando este patamar pela primeira vez. O lucro operacional da divisão subiu para 6,6 mil milhões de dólares, face a 2,2 mil milhões no período homólogo. A carteira contratada da cloud quase duplicou face ao trimestre anterior, para mais de 460 mil milhões de dólares.
Segundo Sundar Pichai, a Google Cloud beneficia da procura por produtos e infraestrutura de IA, com as soluções empresariais de IA a tornarem-se, pela primeira vez, o principal motor de crescimento da unidade. As receitas de produtos construídos sobre modelos de IA generativa da Google cresceram quase 800% em termos homólogos no primeiro trimestre.
A estratégia empresarial da Google passa também pelo Gemini Enterprise. A plataforma registou um crescimento trimestral de 40% nos utilizadores ativos mensais pagos e inclui novas capacidades para criar, orquestrar, governar e otimizar agentes de IA nas organizações. A Google refere clientes como a Bosch, Citi Wealth, Merck e Mars entre as empresas que utilizam a solução.
Destaca-se ainda um aumento da utilização dos modelos próprios da Google, incluindo o Gemini, que processam agora mais de 16 mil milhões de tokens por minuto através de utilização direta por API por parte dos clientes, contra 10 mil milhões no trimestre anterior. Nos últimos 12 meses, 330 clientes da Google Cloud processaram mais de um bilião de tokens cada, e 35 ultrapassaram os 10 biliões.
A abordagem "full-stack" referida por Pichai inclui também infraestrutura própria. A Google destacou os seus TPUs, CPUs Axion e GPUs NVIDIA como parte de uma oferta ampla de computação para IA. No evento Cloud Next, a empresa apresentou a oitava geração dos seus TPUs, com versões especializadas para treino e inferência, incluindo o TPU 8t e o TPU 8i.
No negócio de subscrições, plataformas e dispositivos, as receitas cresceram 19%, para 12,4 mil milhões de dólares. A Alphabet indicou que este foi o trimestre mais forte de sempre para os seus planos de IA de consumo, impulsionados pela adoção da aplicação Gemini. O número total de subscrições pagas chegou aos 350 milhões, com o YouTube e o Google One como principais motores. As receitas de publicidade do YouTube cresceram 11%, para 9,9 mil milhões de dólares, enquanto o total da publicidade da Google subiu para 77,3 mil milhões.
A Alphabet continua, contudo, a aumentar o esforço de investimento associado à IA. As compras de propriedade e equipamento atingiram 35,7 mil milhões de dólares no trimestre, num contexto em que tem reforçado centros de dados, capacidade computacional e infraestrutura para modelos e serviços de IA.
Os resultados reforçam a centralidade da IA na estratégia da Alphabet. A gigante apresenta a tecnologia não apenas como uma camada de produto, mas como infraestrutura transversal ao negócio: pesquisa, publicidade, cloud, produtividade, cibersegurança, agentes empresariais e serviços de consumo. Para os próximos meses, Sundar Pichai remeteu novos desenvolvimentos para o Google I/O, marcado para 19 de maio.
Para reforçar áreas consideradas críticas para o futuro da Europa