A Anthropic lançou o Claude Fable 5, a versão publicamente disponível da sua nova família de modelos Mythos, mas com restrições reforçadas em áreas sensíveis como cibersegurança, biologia e química. Em paralelo, está a alargar o acesso ao Claude Mythos Preview a cerca de 150 novas organizações em mais de 15 países, no âmbito do Project Glasswing, uma iniciativa dirigida à proteção de software crítico e infraestruturas essenciais.
A dupla decisão mostra a estratégia da Anthropic para a nova fase da IA de fronteira: disponibilizar capacidades avançadas ao mercado, mas limitar funcionalidades consideradas de maior risco e reservar versões mais completas para entidades avaliadas como confiáveis. O objetivo declarado é dar vantagem aos defensores em cibersegurança, sem abrir acesso generalizado a capacidades que também poderiam ser exploradas por atacantes.
O Claude Fable 5 é apresentado como o seu modelo mais poderoso com acesso geral. Segundo a Anthropic, o sistema melhora o desempenho em engenharia de software, análise, visão, trabalho científico, memória e execução de tarefas prolongadas. Afirma que o modelo consegue trabalhar durante períodos mais longos do que versões anteriores do Claude, planear etapas, recorrer a subagentes e verificar o próprio trabalho.
Mas o acesso público chega com salvaguardas. Pedidos relacionados com domínios considerados sensíveis, incluindo cibersegurança avançada, biologia, química e determinadas áreas de saúde, podem ser recusados ou encaminhados para o Claude Opus 4.8, um modelo menos capaz. A Anthropic justifica esta decisão com o risco de o Fable 5 poder apoiar atividades nocivas, desde a exploração de vulnerabilidades até investigação biológica ou química com potencial de utilização indevida.
Em paralelo, a Anthropic mantém o Claude Mythos 5 e o Claude Mythos Preview com acesso mais restrito. Esta linha é apresentada como a mais avançada em cibersegurança e será disponibilizada apenas a organizações selecionadas, em especial equipas de defesa, operadores de infraestruturas críticas e entidades envolvidas no Project Glasswing.
O Project Glasswing foi lançado em abril para usar IA avançada na identificação e correção de vulnerabilidades em software crítico. Numa primeira fase, envolveu cerca de 50 parceiros. Desde então, segundo a Anthropic, estas organizações usaram o Claude Mythos Preview para analisar grandes bases de código e identificar mais de 10 mil falhas de segurança de gravidade alta ou crítica.
A expansão agora anunciada deverá levar o programa a cerca de 150 novas organizações em mais de 15 países. O acesso será concedido apenas depois de cumpridos requisitos de segurança definidos pela empresa, em articulação com parceiros do Project Glasswing, a indústria de cibersegurança, responsáveis por software open source e o Governo dos Estados Unidos.
A lógica da Anthropic é que as mesmas capacidades que tornam modelos como o Mythos sensíveis podem ser determinantes para reforçar a defesa. Um sistema capaz de detetar vulnerabilidades com maior rapidez pode ajudar equipas de segurança a auditar código, priorizar riscos e propor correções antes de uma falha ser explorada. Mas, se colocado nas mãos erradas, esse mesmo tipo de capacidade pode acelerar a descoberta de falhas e a preparação de ataques.
Assim, procura posicionar o Mythos como ferramenta controlada para defesa de infraestruturas críticas, enquanto disponibiliza ao público uma versão mais limitada através do Fable 5. A empresa está também a desenvolver produtos complementares, como o Claude Security, que usa modelos públicos da Anthropic para analisar bases de código e sugerir correções em contextos menos sensíveis.
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