Anthropic lança Project Glasswing com gigantes tecnológicas

2026-04-09

A Anthropic anunciou o lançamento do Project Glasswing, iniciativa que reúne algumas das principais empresas tecnológicas e financeiras globais. O objetivo é reforçar a segurança de software crítico, numa altura em que os modelos avançados de inteligência artificial começam a alterar o equilíbrio no domínio da cibersegurança. O projeto envolve parceiros como a AWS, Apple, Google, Microsoft, NVIDIA, Cisco, CrowdStrike, Broadcom, Palo Alto Networks, JPMorganChase e a Linux Foundation, refletindo uma abordagem colaborativa entre os diferentes setores.
No centro desta iniciativa está o modelo Claude Mythos Preview, um sistema de Iaque não será disponibilizado publicamente uma vez que, segundo a Anthropic, atingiu um nível de capacidade que lhe permite identificar e explorar vulnerabilidades de software com eficácia superior à maioria dos especialistas humanos. De acordo com a empresa, o modelo já detetou milhares de vulnerabilidades críticas, incluindo falhas em sistemas operativos e browsers amplamente utilizados.
Este avanço levanta preocupações significativas já que, como refere a Anthropic, à medida que estas capacidades se disseminarem, poderão ser utilizadas por atores maliciosos, com impacto potencial em infraestruturas críticas, segurança pública e estabilidade económica. O Project Glasswing surge, neste contexto, como uma tentativa de antecipar esse cenário, colocando estas ferramentas ao serviço da defesa.
Os parceiros envolvidos irão utilizar o Mythos Preview para identificar vulnerabilidades em software próprio e em componentes open source, contribuindo para o reforço da segurança em larga escala. Paralelamente, a Anthropic compromete-se a partilhar os resultados obtidos com o ecossistema, numa lógica de benefício coletivo para a indústria.
A iniciativa inclui ainda o alargamento do acesso ao modelo a mais de 40 organizações responsáveis por infraestruturas críticas de software, bem como um investimento até 100 milhões de dólares em créditos de utilização e 4 milhões de dólares em financiamento direto a projetos de segurança open source.
O lançamento do Project Glasswing evidencia uma mudança estrutural no papel da IA na cibersegurança. Se, até agora, a IA era sobretudo utilizada para deteção e resposta a ameaças, a nova geração de modelos introduz capacidades ofensivas que obrigam a uma redefinição das estratégias de defesa.
A Anthropic sublinha que nenhum ator isolado conseguirá responder a este desafio, pelo que o reforço da segurança digital dependerá de uma coordenação alargada entre empresas tecnológicas, comunidade open source, investigadores e governos. Ao mesmo tempo, alerta que a evolução destas capacidades poderá ocorrer num horizonte de meses, enquanto a adaptação dos sistemas de defesa exigirá um esforço continuado ao longo de anos.
Neste enquadramento, o Project Glasswing posiciona-se como um primeiro passo para estruturar uma resposta coordenada a uma nova fase da cibersegurança, marcada pela convergência entre inteligência artificial avançada e proteção de infraestruturas críticas.
 


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