Apple dispara em bolsa e torna-se a mais valiosa do mundo

2026-07-30

A Apple ultrapassou, pela primeira vez, uma capitalização bolsista de cinco biliões de dólares, tornando-se a segunda empresa da história a atingir este patamar, depois da Nvidia. Ainda que apenas durante uma sessão, esta valorização mostra que os investidores estão também a premiar empresas com forte geração de caixa e menor exposição ao investimento intensivo em infraestruturas de IA.
As ações chegaram aos 342,89 dólares durante a sessão de terça-feira, uma valorização suficiente para elevar momentaneamente o valor de mercado da fabricante do iPhone para 5,036 biliões de dólares. Acabou por fechar a sessão nos 4,98 biliões.
A Nvidia tinha sido a primeira empresa a superar cinco biliões de dólares, impulsionada pela procura mundial de processadores utilizados no treino e execução de modelos de IA. Na sessão em que a Apple atingiu o novo máximo, a fabricante de chips estava avaliada em cerca de 4,78 biliões de dólares. 
A mudança de liderança ocorre depois de vários meses em que o mercado premiou sobretudo as empresas diretamente expostas à construção de data centers, incluindo fabricantes de processadores, memória e equipamento de rede.
Mais recentemente, as preocupações com os custos, a dívida e o prazo de retorno dos grandes investimentos em IA aumentaram a volatilidade das tecnológicas. A valorização da Apple sugere que parte dos investidores está a voltar a privilegiar empresas com receitas previsíveis, margens elevadas, forte geração de caixa e menor necessidade de investimento físico.
A Apple tem adotado uma estratégia de inteligência artificial diferente da seguida pela Microsoft, a Alphabet, Amazon e Meta. Em vez de construir uma infraestrutura cloud comparável à dos grandes hiperescaladores, concentra uma parte significativa do processamento nos dispositivos e recorre a parceiros externos para algumas capacidades mais avançadas. O modelo procura tirar partido dos processadores próprios, da base instalada de equipamentos e do acesso a dados pessoais no dispositivo, mantendo uma abordagem centrada na privacidade.
Está ainda a ampliar a capacidade dos seus centros de dados e a investir em servidores para o sistema Private Cloud Compute, mas a sua despesa de capital permanece bastante inferior à dos grupos que estão a construir grandes plataformas globais de IA. A Apple anunciou também um compromisso de investimento e despesa de 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos ao longo de quatro anos, que inclui fornecedores, produção, investigação, data centers e a infraestrutura de Apple Intelligence, não correspondendo integralmente a despesa de capital.
Esta menor intensidade de investimento tem ajudado a preservar o fluxo de caixa, numa altura em que o mercado questiona o retorno de centenas de milhares de milhões de dólares aplicados pela Big Tech em chips, energia e centros de dados.  A valorização também reflete o desempenho operacional da empresa.
No trimestre terminado em março, a Apple registou receitas de 111,2 mil milhões de dólares, mais 17% em termos homólogos, apoiadas por máximos trimestrais nas vendas do iPhone e pelo recorde absoluto da área de serviços. Para o trimestre terminado em junho, os analistas antecipavam um crescimento das receitas de cerca de 15,5%, o mais forte para esse período em cinco anos. A procura pelo iPhone terá beneficiado da decisão de manter os preços da gama, apesar da subida dos custos dos componentes.
A passagem pelos cinco biliões coincidiu com o lançamento, nos Estados Unidos, do Apple Upgrade, um programa de utilização de equipamentos através de pagamentos mensais, desenvolvido em parceria com a Klarna. A oferta inclui iPhone, iPad, Mac e Apple Watch. No caso dos smartphones, os preços começam nos 17,99 dólares por mês, com contratos de 12 ou 24 meses. No final, o cliente pode devolver o equipamento, trocar por um modelo mais recente ou pagar o valor remanescente para ficar com o dispositivo.  O modelo aproxima a venda de hardware de uma subscrição e pode aumentar a previsibilidade das receitas, reduzir os intervalos de substituição e reforçar a fidelização ao ecossistema.
 


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