A Samsung atingiu uma avaliação de um bilião de dólares, impulsionada pela forte procura por chips para inteligência artificial. A tecnológica sul-coreana tornou-se assim a segunda empresa asiática a ultrapassar este patamar, depois da TSMC, numa altura em que a corrida global à IA continua a pressionar a capacidade de produção da indústria de semicondutores.
As ações da Samsung subiram mais de 10% apenas num dia, depois de a empresa ter apresentado resultados muito acima dos registados no período homólogo. Segundo a TechCrunch, os lucros foram oito vezes superiores aos de há um ano, refletindo o impacto direto da procura por memória avançada usada em sistemas de IA.
No centro deste crescimento está a memória de elevada largura de banda, ou HBM, uma tecnologia crítica para acelerar modelos de IA e suportar infraestruturas de computação em larga escala. A procura por este tipo de chips tem aumentado rapidamente, sobretudo por parte de operadores de data centers e empresas que desenvolvem modelos de IA generativa. A oferta, contudo, continua limitada, o que tem pressionado os preços em alta e melhorado as margens dos fabricantes.
A valorização da Samsung surge também num contexto de possível reconfiguração da cadeia global de semicondutores. De acordo com a mesma fonte, a Apple estará em conversações com a Samsung e a Intel para produzir chips nos Estados Unidos, o que representaria uma alteração relevante face à sua dependência histórica da TSMC, em Taiwan.
Apesar do momento favorável, a Samsung enfrenta concorrência intensa. A SK Hynix, também sul-coreana, disputa a liderança no mercado de HBM, enquanto a Micron procura igualmente aumentar capacidade. Os três maiores fabricantes mundiais de memória têm vindo a redirecionar investimento de áreas mais tradicionais, como chips para consumo, para a produção de HBM, onde as margens são mais elevadas.
O movimento confirma a centralidade dos semicondutores na economia da IA. A capacidade de produzir memória avançada tornou-se um fator estratégico para empresas tecnológicas, operadores cloud, fabricantes de hardware e governos que procuram reduzir dependências críticas. Ao mesmo tempo, reforça a posição da Ásia no centro da cadeia global de valor dos chips, num momento em que Estados Unidos, Europa e China procuram aumentar capacidade própria.
Para a Samsung, o desafio passa agora por consolidar a liderança num mercado de elevada procura, mas com forte pressão competitiva e tecnológica. Para a indústria, o sinal é claro: a IA está a redefinir prioridades de investimento, cadeias de abastecimento e equilíbrios de poder no setor global dos semicondutores.
Testando apetite dos mercados pela nova infraestrutura digital
Sempre sujeito a critérios claros, verificável e com medidas de mitigação
Acelerando ambição de transformar a Europa num continente líder em IA