Os operadores franceses Bouygues Telecom, Iliad (dona da Free) e Orange estão em negociações exclusivas com a Altice para a aquisição da SFR A operação está avaiada em cerca de 20 mil milhões de euros e os meios internacionais avançam que o consórcio apresentou uma proposta revista de aproximadamente 20,35 mil milhões de euros, depois da oferta inicial de 17 mil milhões ter sido rejeitada em 2025.
As partes estão agora em fase de negociações exclusivas, com um período de análise ("due diligence") já iniciado e com prazo definido para meados de maio, embora o acordo final permaneça sujeito a aprovação regulatória e não esteja garantido.
A operação prevê a divisão dos ativos da SFR entre os três operadores. De acordo com os termos conhecidos, a Bouygues deverá assumir a maior fatia (cerca de 42%), seguida da Iliad (31%) e da Orange (27%). A transação exclui alguns ativos específicos, como infraestruturas de fibra e operações internacionais.
Caso se concretize, o negócio poderá transformar profundamente o mercado francês de telecomunicações, reduzindo o número de grandes operadores de quatro para três e colocando fim a um ciclo prolongado de forte concorrência baseada em preço, que tem pressionado as margens e o investimento no setor.
A operação surge também num contexto mais amplo de consolidação no setor europeu das telecomunicações. Vários operadores têm defendido a necessidade de ganhar escala para competir com grandes grupos internacionais e suportar investimentos em redes de nova geração, incluindo 5G e futuras infraestruturas digitais.
Ainda assim, o negócio deverá enfrentar um escrutínio rigoroso das autoridades da concorrência, tanto em França como a nível europeu. Historicamente, os reguladores têm privilegiado a manutenção de quatro operadores por mercado, para garantir preços competitivos e diversidade de oferta, o que poderá tornar o processo de aprovação particularmente exigente.
Se avançar, será uma das maiores operações de consolidação no setor europeu das telecomunicações nos últimos anos, refletindo a crescente pressão para reconfigurar o mercado e reforçar a capacidade de investimento e inovação das operadoras europeias.
Para reforçar áreas consideradas críticas para o futuro da Europa