A Comissão Europeia apresentou um novo pacote para a soberania tecnológica europeia. Tem medidas dirigidas a semicondutores, inteligência artificial, cloud, open source e digitalização do sistema energético. O objetivo é reforçar a autonomia digital da União Europeia, aumentar a resiliência tecnológica e acelerar a ambição de transformar a Europa num continente líder em IA. O pacote complementa iniciativas já em curso, como o Competitiveness Compass e a Economic Security Strategy, e insere-se numa visão mais ampla de redução de dependências estratégicas em tecnologias críticas.
O pacote estrutura-se em quatro áreas principais. A primeira é a base europeia de semicondutores, através do Chips Act 2.0, que pretende reforçar a capacidade da Europa em tecnologias de chips de ponta, estimular a oferta e a procura e apoiar investimento numa área considerada crítica para a competitividade e para a segurança económica.
A segunda dimensão incide sobre cloud e inteligência artificial. A Comissão quer avançar com um Cloud and AI Development Act, destinado a apoiar investigação e inovação em tecnologias avançadas e sustentáveis, simplificar condições para a instalação de data centers na União Europeia e criar um enquadramento único europeu para avaliar soberania em cloud e IA.
Bruxelas pretende, assim, responder a uma das principais fragilidades europeias no digital: a dependência de fornecedores externos em infraestrutura cloud, capacidade computacional e plataformas de IA. A proposta procura alinhar investimento, regras de implantação de data centers e critérios de soberania, num momento em que a procura por computação cresce com a adoção de modelos avançados de IA.
A terceira frente passa pelo open source. A nova estratégia europeia pretende escalar alternativas abertas em áreas prioritárias, investir em competências, startups e infraestrutura digital e promover uma maior utilização de soluções open source nas administrações públicas. Para a CE, esta abordagem pode reforçar a autonomia digital europeia, reduzir dependências tecnológicas e estimular inovação local.
A quarta área é a digitalização do sistema energético. A CE prevê um roteiro estratégico para digitalização e IA no setor da energia, com o objetivo de integrar data centers no sistema energético europeu, acelerar a adoção de soluções digitais e de IA e desenvolver modelos soberanos e seguros para o setor.
Esta ligação entre energia e digitalização tornou-se central no debate europeu. A expansão de data centers e de infraestruturas de IA aumenta a pressão sobre redes elétricas, consumo energético e sustentabilidade. Bruxelas pretende enquadrar esse crescimento de forma mais coordenada, garantindo que a transição digital não compromete metas energéticas e climáticas.
A CE apresenta estas medidas como um passo para proteger a independência digital europeia e acelerar a capacidade do bloco em investigação, desenvolvimento e adoção de IA. Na prática, Bruxelas procura combinar política industrial, segurança económica, sustentabilidade e regulação tecnológica numa mesma agenda.
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