Bruxelas define áreas-chave para acelerar transição digital e verde

2022-06-30 Para acelerar a transição digital e verde, Bruxelas divulgou um relatório de prospetiva estratégica de 2022. Identifica 10 áreas-chave de ação para maximizar sinergias e consistência entre as ambições climáticas e digitais, com as quais garante que a UE sairá reforçada na resiliência entre setores e melhor preparada face aos novos desafios globais até 2050. Serão necessários quase 650 mil milhões de euros de investimentos adicionais até 2030.
"Para alcançar a neutralidade climática até 2050, temos de libertar o poder da digitalização. Ao mesmo tempo, a sustentabilidade deve estar no centro da transformação digital. É por esta razão que o presente relatório de prospetiva estratégica analisa de forma mais aprofundada a melhor forma de alinhar os nossos dois objetivos, especialmente porque assumem uma dimensão de segurança significativa devido às atuais mudanças geopolíticas. Por exemplo, a partir de 2040, a reciclagem poderá ser uma importante fonte de metais e minerais, inevitável para as novas tecnologias, se a Europa corrigir as suas insuficiências no domínio das matérias-primas. Compreender esta interação entre a dupla transição, ao mesmo tempo que se procura uma autonomia estratégica aberta, é o caminho certo a seguir", defende em comunicado da CE Maroš Šefčovič, Vice-Presidente da Comissão Europeia.
Defende-se que, "à luz da agressão da Rússia contra a Ucrânia, a Europa está a posicionar-se mais rapidamente na liderança mundial da ação climática e digital, com muita atenção aos principais desafios, desde a energia e a alimentação até à defesa e às tecnologias de ponta". Assim, o relatório apresenta uma "análise holística e orientada para o futuro das interações entre a dupla transição, tendo em conta o papel das tecnologias novas e emergentes, bem como os principais fatores geopolíticos, sociais, económicos e regulamentares que moldam a sua geminação - ou seja, a sua capacidade de se reforçar mutuamente".
Refere-se que as tecnologias digitais estão a ajudar a UE a alcançar a neutralidade climática, a reduzir a poluição e a restaurar a biodiversidade, embora a sua utilização generalizada esteja a aumentar o consumo de energia, os resíduos eletrónicos e uma maior pegada ambiental. Sendo "a energia, os transportes, a indústria, a construção e a agricultura - os cinco setores com mais emissões de gases com efeito de estufa na UE - essenciais para uma geminação bem-sucedida das transições ecológica e digital", Bruxelas não tem dúvidas de que "as tecnologias desempenharão um papel fundamental na redução da pegada de carbono destes setores.
"Até 2030, a maior parte das reduções das emissões de CO2 resultará das tecnologias atualmente disponíveis. No entanto, a consecução da neutralidade climática e da circularidade até 2050 será possibilitada pelas novas tecnologias atualmente em fase experimental, de demonstração ou de protótipo", destaca-se.
O relatório de prospetiva estratégica de 2022 "Geminação das transições ecológica e digital no novo contexto geopolítico" dá vários exemplos: na energia, os novos sensores, dados de satélite e cadeias de blocos, que poderão contribuir para reforçar a segurança energética da UE, melhorando a previsão da produção e da procura de energia, prevenindo perturbações relacionadas com as condições meteorológicas ou facilitando os intercâmbios transfronteiras; nos transportes, uma nova geração de baterias ou tecnologias digitais, como a IA e a IoT, que permitirão grandes mudanças no sentido da sustentabilidade e da mobilidade multimodal; nos setores industriais, os gémeos digitais, que podem ajudar a melhorar a conceção, a produção e a manutenção; na construção, a modelização da informação sobre edifícios poderá melhorar a eficiência energética e hídrica; ou na agricultura, onde a computação quântica, em combinação com a bioinformática, pode melhorar a compreensão dos processos biológicos e químicos necessários para reduzir a utilização de pesticidas e fertilizantes.
Estima-se que sejam necessários quase 650 mil milhões de euros de investimentos adicionais até 2030 para concretizar estes planos, sendo esta uma mobilização de dinheiro privado e público.
Bruxelas destaca ainda que a atual instabilidade geopolítica confirma a necessidade não só de acelerar a dupla transição, mas também de reduzir as dependências estratégicas. A curto prazo, a situação continuará a afetar os preços da energia e dos produtos alimentares, com consequências sociais significativas. Mas a médio e longo prazo, por exemplo, o acesso sustentável a matérias-primas essenciais para a dupla transição continuará a ser da maior importância, aumentando a pressão para a transição para cadeias de abastecimento mais curtas e menos vulneráveis e para a externalização para parceiros, sempre que possível.
Os 10 domínios de ação fundamentais, em que é necessária uma resposta estratégica para maximizar as oportunidades e minimizar os potenciais riscos decorrentes da geminação, são reforçar a resiliência e a autonomia estratégica aberta em setores críticos para a dupla transição; intensificar a diplomacia verde e digital; gerir estrategicamente o aprovisionamento de matérias e produtos de base críticos, adotando uma abordagem sistémica a longo prazo para evitar uma nova armadilha de dependência; reforçar a coesão económica e social; adaptar os sistemas de educação e formação a uma realidade tecnológica e socioeconómica em rápida transformação; mobilizar investimentos adicionais preparados para o futuro em novas tecnologias e infraestruturas; desenvolver quadros de acompanhamento para medir o bem-estar para além do PIB; assegurar um quadro regulamentar para o mercado único preparado para o futuro; intensificar uma abordagem global da normalização e tirar partido da vantagem de a UE ser pioneira em termos de sustentabilidade competitiva; e promover um quadro sólido de cibersegurança e de partilha de dados segura.
Estas conclusões serão agora debatidas na conferência anual do Sistema de Análise da Estratégia e Política Europeias (ESPAS), a 17 e 18 de novembro de 2022.

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