Bruxelas define plano estruturado para a liderança europeia na IA

2026-04-09

A Comissão Europeia acaba de apresentar um plano mais detalhado para posicionar a União Europeia como líder global em inteligência artificial. O "AI Continent Action Plan" assume-se como uma estratégia que articula investimento, infraestruturas tecnológicas e políticas públicas para acelerar a adoção da IA em toda a economia. No centro de tudo estão as infraestrutas críticas. 
Em comunicado, Bruxelas adianta que o plano assenta numa abordagem integrada que combina cinco pilares estruturantes: reforço da capacidade computacional, acesso a dados de elevada qualidade, adoção da IA em setores estratégicos, desenvolvimento de competências e simplificação do enquadramento regulatório.
No centro da estratégia está o investimento em infraestruturas críticas. A Comissão prevê a criação de pelo menos 19 "AI factories", apoiadas pela rede europeia de supercomputação, bem como até cinco gigafábricas de IA, capazes de suportar o treino de modelos de grande escala. Esta aposta é acompanhada pela iniciativa InvestAI, que pretende mobilizar até 200 mil milhões de euros, incluindo 20 mil milhões destinados a estas infraestruturas de elevada capacidade.
Outro eixo relevante é o acesso a dados. O plano propõe a criação de um mercado único de dados - através da chamada "data union strategy" - e o desenvolvimento de laboratórios de dados associados às AI factories, com o objetivo de facilitar o treino de modelos e a inovação baseada em dados.
Apesar do potencial tecnológico, a CE reconhece o atraso europeu na adoção: apenas cerca de 13,5% das empresas europeias utilizam IA. Para colmatar este défice, será lançada a estratégia "Apply AI", orientada para acelerar a integração da tecnologia em setores como indústria, saúde, mobilidade e serviços públicos, com particular foco nas PME.
O plano inclui ainda medidas para reforçar o ecossistema de talento, através da formação de especialistas, retenção de competências na Europa e atração de profissionais internacionais. Em paralelo, pretende-se facilitar a aplicação do AI Act, criando mecanismos de apoio e orientação para empresas, incluindo um serviço centralizado de esclarecimento regulatório.
A estratégia surge num contexto de crescente competição global, em que Estados Unidos e China lideram em escala de investimento e desenvolvimento tecnológico. Bruxelas procura, assim, combinar a sua base industrial e científica com uma abordagem regulatória centrada na confiança e nos direitos fundamentais, assumindo que a liderança em IA dependerá tanto da capacidade tecnológica como da governação do ecossistema digital.
Com este plano, a CE sinaliza uma mudança de enfoque: da regulação para a execução. A concretização das medidas, em particular no domínio das infraestruturas e do financiamento, será determinante para avaliar se a Europa consegue reduzir o diferencial face às principais potências tecnológicas e afirmar-se como um polo relevante na próxima fase da inteligência artificial.
 


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