CE lança parcerias para acelerar transição digital e verde nas indústrias

2021-02-23 A Comissão Europeia acaba de propor a criação de 10 novas parcerias europeias entre a UE, estados-membros e/ou a indústria. O objetivo é acelerar a transição para uma Europa verde, neutra para o clima e digital e tornar a indústria europeia mais resiliente e competitiva. Bruxelas dará quase 10 mil milhões de euros de financiamento, que os parceiros terão de igualar com pelo menos um montante equivalente de investimento. E espera que a medida permita mobilizar investimentos adicionais no apoio à mudança, criando impactos positivos a longo prazo no emprego, ambiente e sociedade.

As parcerias europeias propostas visam melhorar a preparação e resposta da UE a doenças infeciosas, desenvolver aeronaves eficientes de baixo carbono para uma aviação verde, apoiar a utilização de matérias-primas biológicas renováveis na produção de energia, assegurar a liderança europeia em tecnologias e infraestruturas digitais e tornar o transporte ferroviário mais competitivo.

"Estamos no nosso melhor na Europa quando trabalhamos em conjunto. Isto é particularmente importante quando se trata de dominar os desafios da transformação digital. Afeta-nos a todos, e não se detém nas fronteiras nacionais, tal como as alterações climáticas. As parcerias propostas mobilizarão recursos para podermos, em conjunto, tirar o máximo partido das tecnologias digitais, sobretudo no interesse da nossa transição verde", diz em comunicado da CE a sua vice-presidente e responsável pelo digital, Margrethe Vestager.

"O desafio da pandemia do coronavírus acrescentou urgência aos nossos esforços de longa data para utilizar melhor a investigação e a inovação no combate a emergências sanitárias, alterações climáticas e transformação digital. As parcerias europeias são a nossa oportunidade de trabalhar em conjunto para responder e moldar as profundas transformações económicas e sociais, para benefício de todos os cidadãos da UE", acrescenta Mariya Gabriel, Comissária para a Inovação, Investigação, Cultura, Educação e Juventude.

"Investir na inovação é investir na nossa capacidade de estar na vanguarda dos desenvolvimentos tecnológicos e de desenvolver capacidades estratégicas. Devemos agarrar as oportunidades trazidas pelas tecnologias chave em desenvolvimento, como microprocessadores ou semicondutores, para que a Europa possa estar na vanguarda da inovação digital à escala global. Estas novas abordagens conjuntas serão fundamentais no apoio à nossa indústria para alcançar as nossas ambições digitais e ecológicas", remata Thierry Breton, Comissário para o Mercado Interno.

Assim, a parceria Key Digital Technologies abrange componentes eletrónicos, a sua conceção, fabrico e integração em sistemas e o software que define o seu funcionamento. O objetivo global é apoiar a transformação digital de todos os setores económicos e sociais e o Acordo Verde europeu, bem como apoiar a investigação e inovação para a próxima geração de microprocessadores. Com a Declaração sobre uma Iniciativa Europeia, sobre processadores e tecnologias de semicondutores assinada por 20 estados-membros, uma próxima aliança sobre microeletrónica e um possível novo projeto de interesse comum europeu em discussão para fomentar a inovação, esta nova parceria ajudará a impulsionar a competitividade e a soberania tecnológica da Europa.

A Global Health EDCTP3 será uma parceria que visa desenvolver novas soluções para reduzir o peso das doenças infeciosas na África subsariana e reforçar as capacidades de investigação para preparar e responder a doenças infeciosas reemergentes em todo o mundo. Até 2030, pretende-se desenvolver e implantar pelo menos duas novas tecnologias para combater as doenças infeciosas e apoiar pelo menos 100 institutos de investigação em 30 países para desenvolver tecnologias sanitárias adicionais contra epidemias reemergentes.
Já a Innovative Health Initiative ajudará a criar um ecossistema de investigação e inovação na saúde a nível da EU, para facilitar a tradução do conhecimento científico em inovações tangíveis. Abrangerá a prevenção, diagnóstico, tratamento e gestão de doenças e contribuirá para alcançar os objetivos do Plano Europeu contra o Cancro, a nova Estratégia Industrial para a Europa e a Estratégia Farmacêutica para a Europa.

Com a parceria Smart Networks and Services, pretende-se apoiar a soberania tecnológica para redes e serviços inteligentes, em linha com a nova estratégia industrial para a Europa, a nova Estratégia de Cibersegurança da UE e a Caixa de Ferramentas 5G. O objetivo é ajudar a resolver os desafios sociais e permitir a transição digital e verde, bem como apoiar tecnologias que contribuam para a recuperação económica. Permitirá igualmente aos atores europeus desenvolver as capacidades tecnológicas dos sistemas 6G como base para os futuros serviços digitais por volta de 2030.

A parceria Circular Bio-based Europe contribuirá significativamente para as metas climáticas de 2030, abrindo o caminho para a neutralidade climática até 2050, e aumentará a sustentabilidade e circularidade dos sistemas de produção e consumo, em linha com o Acordo Verde Europeu. Visa desenvolver e expandir o abastecimento sustentável e a conversão da biomassa em produtos de base biológica, bem como apoiar a implantação da inovação de base biológica a nível regional com o envolvimento ativo dos atores locais, com vista a revitalizar as regiões rurais, costeiras e periféricas.
Com a Clean Hydrogen, visa-se acelerar o desenvolvimento e a implantação de uma cadeia de valor europeia para tecnologias de hidrogénio limpo, contribuindo para sistemas energéticos sustentáveis, descarbonizados e totalmente integrados. Juntamente com a Hydrogen Alliance, contribuirá para a realização dos objetivos da UE propostos na estratégia de hidrogénio para uma Europa neutra do ponto de vista climático. Centrar-se-á na produção, distribuição e armazenamento de hidrogénio limpo e no fornecimento de setores difíceis de descarbonizar, tais como as indústrias pesadas e as aplicações de transporte pesado.

Com a parceria Clean Aviation, pretende-se colocar a aviação a caminho da neutralidade climática, acelerando o desenvolvimento e implantação de soluções de investigação e inovação disruptivas. Visa desenvolver a próxima geração de aeronaves ultra-eficientes de baixo carbono, com novas fontes de energia, motores e sistemas, melhorando a competitividade e o emprego no sector da aviação, o que será especialmente importante para a recuperação.

A parceria Europe's Rail acelerará o desenvolvimento e a implantação de tecnologias inovadoras, especialmente digitais e de automação, para alcançar a transformação radical do sistema ferroviário e cumprir os objetivos do Acordo Verde Europeu. Ao melhorar a competitividade, irá apoiar a liderança tecnológica europeia no setor ferroviário.

Já a Single European Sky ATM Research 3 é uma iniciativa que visa acelerar a transformação tecnológica da gestão do tráfego aéreo na Europa, alinhando-a com a era digital, tornar o espaço aéreo europeu o céu mais eficiente e amigo do ambiente para voar no mundo e apoiar a competitividade e recuperação do sector aeronáutico europeu após a crise do coronavírus.

Por fim, a parceria Metrology visa acelerar a liderança global da Europa na investigação metrológica, estabelecendo redes metrológicas europeias auto-sustentáveis destinadas a apoiar e estimular novos produtos inovadores, respondendo aos desafios da sociedade e permitindo uma conceção e implementação eficazes da regulamentação e normas subjacentes às políticas públicas.

Estas Parcerias Europeias são abordagens fornecidas pelo Horizon Europe, o novo programa de investigação e inovação da UE (2021-2027). O objetivo é melhorar e acelerar o desenvolvimento e a adoção de novas soluções inovadoras em diferentes sectores, através da mobilização de recursos públicos e privados. Contribuirão também para os objetivos do Acordo Verde Europeu e reforçarão o Espaço Europeu da Investigação. As parcerias estão abertas a uma vasta gama de parceiros públicos e privados, como a indústria, universidades, organizações de investigação, organismos com missão de serviço público a nível local, regional, nacional ou internacional, e organizações da sociedade civil, incluindo fundações e ONG.

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