CE propõe revisão do Cybersecurity Act para reforçar resiliência digital

2026-01-21

Bruxelas acaba de apresentar um pacote legislativo para reforçar a cibersegurança na União Europeia. Com destaque para a proposta de revisão do Cybersecurity Act, o quadro legal que define o regime de certificação e a estrutura de segurança para produtos, serviços e processos no espaço digital europeu. A iniciativa surge num contexto de crescentes ataques cibernéticos e de ameaças híbridas a infraestruturas críticas, e visa dotar a UE de uma abordagem mais robusta, coordenada e eficaz face aos riscos atuais e futuros.
O Cybersecurity Act original, em vigor desde 2019, estabeleceu um sistema voluntário de certificação e reforçou o papel da EU Agency for Cybersecurity (ENISA) para apoiar Estados-Membros na gestão de riscos digitais. A revisão agora proposta amplia e moderniza esse quadro com vários objetivos centrais. Como fortalecer a segurança das cadeias de fornecimento de tecnologias de informação e comunicação (TIC), reduzindo vulnerabilidades e dependências em fornecedores considerados de alto risco.
Outro objetivo é simplificar e tornar mais eficiente o processo de certificação de produtos e serviços digitais. O que passa por clarificar regras e procedimentos sob o European Cybersecurity Certification Framework (ECCF), para assegurar que equipamentos e aplicações usados por consumidores e empresas cumprem padrões elevados de segurança.
Facilitar o cumprimento das regras de cibersegurança pelas empresas através da redução de encargos administrativos e da harmonização de obrigações de reporte de incidentes é outra meta. Assim como reforçar a ENISA, para que possa coordenar melhor a resposta a ameaças transnacionais, apoiar estados-membros, e fomentar a partilha de informações priorizadas entre atores públicos e privados. 
Para a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da soberania tecnológica, segurança e democracia, Henna Virkkunen, a revisão "é essencial para preparar a Europa para os desafios crescentes do ciberespaço", destacando a necessidade de um enquadramento que proteja melhor cidadãos e empresas contra ataques sofisticados e interrupções em setores críticos. Segundo Virkkunen, a proposta pretende também reforçar a confiança do público e do mercado na segurança das tecnologias digitais e garantir que a União Europeia não fique atrás de outras grandes economias na luta pela segurança digital global.
A revisão do Cybersecurity Act insere-se no esforço mais amplo da Comissão para consolidar a resiliência digital, depois da adoção de diplomas como a diretiva NIS2, que abrange a proteção de infraestrutura crítica em setores diversos. Numa Europa cada vez mais digitalizada, os ataques cibernéticos a redes elétricas, sistemas de saúde, telecomunicações ou serviços públicos podem ter consequências sociais e económicas graves - um cenário que torna a atualização da legislação uma prioridade estratégica.
Além disso, a proposta procura reduzir os riscos associados a cadeias de fornecimento globais complexas, que incluem componentes e serviços de países terceiros, com mecanismos mais rigorosos de avaliação e resposta a riscos que podem ameaçar a soberania tecnológica da UE.
O pacote agora apresentado pela Comissão Europeia será discutido pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE, que terão de chegar a um acordo para que as medidas entrem em vigor. Depois de aprovadas, estas alterações deverão ser transpostas para as legislações nacionais dos estados-membros, num processo que pode levar vários anos, considerando a abrangência e a importância das normas para o mercado único digital.


Dá seis meses para cumprir exigências europeias de transparência e acesso a dados


Relatório global propõe conjunto de medidas para reforço da resiliência


Mostra relatório State of Infrastructure in the Agentic AI Era


Alegando default de dois mil milhões de euros


Será um dos projetos de maior relevância nos EUA


Para reforço da cibersegurança dos serviços essenciais