A proteção de crianças e jovens no ambiente digital é considerada uma prioridade política por 92% dos europeus, revela a primeira leitura do Eurobarómetro Especial sobre a Década Digital, divulgada pela CE. Os dados confirmam a preocupação crescente com os riscos associados a plataformas digitais, redes sociais, desinformação, IA e acesso de menores a conteúdos inadequados.
Segundo Bruxelas, os resultados mantêm a tendência já registada na edição anterior, em que mais de nove em cada dez europeus defendiam uma intervenção urgente das autoridades públicas para proteger menores online. Entre as principais preocupações estão o impacto negativo das redes sociais na saúde mental de crianças e jovens, referido por 93% dos inquiridos, o cyberbullying e assédio online, apontado por 92%, e a necessidade de mecanismos eficazes para restringir o acesso de menores a conteúdos inadequados, também com 92%.
O estudo deste ano alarga ainda a análise às barreiras que afastam os europeus da utilização da IA. As principais preocupações são a privacidade e proteção de dados, referidas por 39% dos inquiridos, a exatidão da informação e o risco de respostas incorretas, com 36%, e questões éticas ou mau uso de ferramentas de IA generativa, com 32%.
A manipulação online surge como outro sinal de alerta. De acordo com a CE, 87% dos europeus consideram que fenómenos como a desinformação, interferência estrangeira, conteúdos gerados por IA e deepfakes representam uma ameaça para os processos democráticos. O que reforça a ligação entre proteção dos utilizadores, literacia digital, confiança na informação e resiliência democrática.
A maioria dos europeus defende também uma abordagem regulatória exigente para a IA. O Eurobarómetro indica que 80% dos inquiridos consideram que o desenvolvimento da IA deve ser cuidadosamente regulado para garantir segurança, mesmo que essa supervisão imponha algumas restrições aos programadores e empresas que desenvolvem estas tecnologias.
As plataformas digitais continuam no centro das preocupações. Apesar da entrada em vigor de legislação europeia para regular redes sociais, marketplaces e outros intermediários online, os cidadãos dizem continuar pessoalmente impactados por fake news e desinformação, referidas por 53%, mau uso de dados pessoais, com 47%, e proteção insuficiente de menores, com 41%. Bruxelas assinala que as preocupações com notícias falsas e proteção das crianças foram as que mais aumentaram desde 2024, ambas com uma subida de oito pontos percentuais.
Os resultados reforçam a pressão sobre a UEpara aplicar de forma efetiva o quadro regulatório digital já aprovado, incluindo o Regulamento dos Serviços Digitais, as regras de proteção de dados e o enquadramento europeu da IA. A mensagem política é clara: a transição digital deve avançar, mas com salvaguardas que protejam menores, direitos fundamentais, dados pessoais e confiança pública.
Testando apetite dos mercados pela nova infraestrutura digital
Sempre sujeito a critérios claros, verificável e com medidas de mitigação
Acelerando ambição de transformar a Europa num continente líder em IA