Cellnex cresce 5% e eleva remuneração acionista para mil milhões

2026-07-31

A Cellnex registou um crescimento orgânico das receitas e dos resultados operacionais no primeiro semestre. Um desempenho que levou a empresa a anunciar uma recompra adicional de ações de 200 milhões de euros, elevando para mil milhões o valor destinado aos acionistas em 2026, entre dividendos e recompra de ações. 
"O primeiro semestre confirma a força do modelo industrial da Cellnex, com crescimento orgânico sustentado, melhoria da alavancagem operacional e uma clara aceleração da geração de fluxo de caixa livre", afirmou Marco Patuano, presidente executivo da empresa.
As receitas consolidadas reportadas atingiram 1.994 milhões de euros entre janeiro e junho. A atividade de torres manteve-se como o principal motor, com receitas de 1.625 milhões e um crescimento orgânico de 5,2%. As receitas de fibra, conectividade e serviços de alojamento aumentaram 7,8%. A área de sistemas distribuídos de antenas, pequenas células e redes enquanto serviço cresceu 4,5%, enquanto a radiodifusão avançou 0,5%.
O EBITDA após rendas situou-se em 1.231 milhões de euros e o fluxo de caixa recorrente alavancado alcançou 908 milhões, mais 11% em termos orgânicos.
A empresa refere que o número orgânico de pontos de presença aumentou 4,9%, apoiado pela colocação de novos equipamentos de operadores nas infraestruturas existentes e pelos programas de construção de novos locais. O rácio de ocupação subiu para 1,63 operadores por infraestrutura. Este crescimento permite à Cellnex aumentar as receitas obtidas com cada torre, sem repetir integralmente o investimento físico.
Em Espanha, a empresa renovou por mais dez anos o acordo com a Vodafone, que abrange cerca de dois mil pontos de presença. Na Suíça, alargou a parceria com a Sunrise para construir 300 novos locais durante cinco anos, a partir de janeiro de 2027. 
A Cellnex expandiu ainda o programa de resiliência energética desenvolvido com a Telefónica. O novo acordo poderá abranger até 3.800 locais e garantir pelo menos duas horas de autonomia através da instalação de baterias.
Assim, a empresa distribuirá este ano dividendos no valor total de 500 milhões de euros. A primeira parcela foi paga em janeiro e a segunda em julho. Concluiu também o programa de recompra de ações de 500 milhões anunciado em novembro de 2025, dos quais 300 milhões foram executados no primeiro semestre. A nova recompra, no montante máximo de 200 milhões de euros, deverá começar em agosto e terminar até 31 de dezembro. As ações adquiridas deverão ser posteriormente anuladas, mediante aprovação dos acionistas.
"A recompra adicional eleva a remuneração total dos acionistas para mil milhões de euros em 2026", destacou Raimon Trias, diretor financeiro da Cellnex. Entre 2025 e 2026, a empresa terá devolvido aproximadamente dois mil milhões de euros aos acionistas, o equivalente, segundo os seus cálculos, a cerca de 11% da capitalização bolsista atual.
Mas, apesar da melhoria operacional, a Cellnex continuou a apresentar prejuízos. O resultado líquido atribuível à empresa-mãe foi negativo em 97 milhões de euros, comparando com perdas de 115 milhões no primeiro semestre de 2025. O resultado operacional melhorou de 244 milhões para 294 milhões de euros, mas o resultado financeiro negativo agravou-se de 416 milhões para 435 milhões.
A empresa terminou junho com uma liquidez disponível de aproximadamente 5.300 milhões de euros, incluindo dois mil milhões em caixa e 3.300 milhões em linhas de crédito não utilizadas.
Refere-se ainda que o tráfego de dados móveis na Europa cresceu 22% entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. A Cellnex considera que esta evolução continuará a exigir densificação das redes, maior capacidade, resiliência energética e colocação de mais equipamentos nas infraestruturas partilhadas.
Assim, estima que a Europa necessitará de cerca de 475 mil milhões de euros de investimento em redes móveis entre 2026 e 2036 para assegurar cobertura 5G, densificação, resiliência e infraestrutura preparada para inteligência artificial. 
A empresa espera receitas, excluindo custos repercutidos nos clientes, entre 4.075 milhões e 4.175 milhões de euros para o total do ano. O EBITDA ajustado deverá situar-se entre 3.425 milhões e 3.525 milhões.

 


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