Cem empresas da UE pedem independência tecnológica face aos EUA

2025-03-18

Apesar do plano de 200 mil milhões de euros para impulsionar a inteligência artificial (IA) no espaço comunitário, a dependência de tecnologias não europeias não será eliminada em menos de três anos. Por isso, Bruxelas tem de tomar medidas, como priorizar a própria indústria nos concursos públicos e criar fundos para impulsionar a competitividade do setor. O apelo é de uma centena de empresas europeias que enviaram uma carta aberta à CE.
Este grupo de empresas quer medidas concretas para garantir a independência tecnológica face aos Estados Unidos. Pelo que, numa carta aberta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à vice-presidente Henna Virkkunen, referem que "a recente Conferência de Segurança de Munique, as medidas subsequentes anunciadas pelos EUA e os novos desenvolvimentos nas relações EUA-UE realçaram a dura realidade geopolítica que a Europa enfrenta hoje".
"A Europa deve tornar-se mais independente tecnologicamente em todas as áreas da sua infraestrutura digital essencial. Desde aplicações, plataformas, media e modelos de inteligência artificial até às infraestruturas físicas", defende este grupo, onde estão a Airbus, a Connect Europe (associação europeia da indústria das telecomunicações) e a Aliança das Pequenas e Médias Empresas Digitais.
Considerando o tempo essencial, entendem  que o ritmo atual de evolução não é o adequado. Pelo que defendem a criação de grupos de trabalho entre a indústria e a CE, semelhantes aos contactos que Bruxelas mantém com as empresas automóveis e siderúrgicas, "para transformar a ambição de soberania tecnológica em ações concretas".
Entre elas, está a possibilidade de os concursos públicos darem prioridade à indústria europeia, uma medida que Bruxelas já propôs para ajudar os fabricantes europeus de veículos elétricos ou a indústria farmacêutica. Propõem ainda a criação de um Fundo Soberano de Infraestruturas, para apoiar o investimento público em áreas como a tecnologia quântica e o fabrico de semicondutores, bem como a participação do Banco Europeu de Investimento (BEI) e uma utilização coordenada de fundos europeus.
Segundo os promotores da carta aberta, "o objetivo não é excluir os participantes não europeus, mas criar um espaço onde os fornecedores europeus possam competir legitimamente e justificar os seus investimentos". Pelo que apelam ainda a critérios harmonizados para que os utilizadores das clouds públicas e privadas possam optar voluntariamente por serviços soberanos para os seus dados confidenciais.
 


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