A China bloqueou a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta Platforms, num negócio avaliado em cerca de 2 mil milhões de dólares. A decisão surge depois de uma investigação regulatória iniciada no início de 2026. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) obriga agora as partes a reverter a operação e retirar o investimento estrangeiro do projeto. Tudo no prazo se semanas.
O bloqueio surge por motivos de segurança nacional e insere-se num movimento mais amplo de Pequim para restringir o acesso de empresas norte-americanas à tecnologia avançada desenvolvida por startups com origem chinesa. Mesmo tendo sido reestruturada e relocalizada para Singapura, a Manus manteve ligações tecnológicas e operacionais à China, o que justificou a intervenção das autoridades.
A National Development and Reform Commission determinou ainda que a transação deve ser desfeita num prazo de semanas, incluindo a reversão de qualquer transferência de dados ou tecnologia entre as empresas. Em paralelo, não está excluída a aplicação de sanções caso o processo não seja totalmente revertido.
A Manus, especializada em agentes de IA autónomos capazes de executar tarefas complexas com reduzida intervenção humana, era considerada um ativo estratégico para a Meta. A integração da tecnologia permitiria acelerar o desenvolvimento de assistentes inteligentes e automatização nas plataformas do grupo, incluindo redes sociais e serviços de mensagens.
O episódio evidencia o endurecimento da política chinesa em relação à transferência de tecnologia e talento em áreas críticas como a inteligência artificial. Pequim tem vindo a desencorajar startups locais de aceitarem investimento estrangeiro sem aprovação governamental, numa estratégia de proteção de ativos considerados estratégicos.
Para a Meta, o bloqueio representa um revés, quando a big tech procura reforçar a sua posição na corrida global à IA, competindo com empresas como a Google, Microsoft ou OpenAI. Para o mercado, o caso sinaliza uma tendência estrutural: as operações transfronteiriças em tecnologias emergentes passam a estar cada vez mais condicionadas por critérios geopolíticos e de soberania tecnológica.
Para reforçar áreas consideradas críticas para o futuro da Europa