A China apresentou um novo plano estratégico de desenvolvimento para os próximos cinco anos, colocando a inteligência artificial no centro da política tecnológica e industrial. Assim como áreas como a computação quântica, robótica, comunicações 6G e interfaces cérebro-computador.
O plano, com mais de 140 páginas, integra objetivos para reforçar a capacidade científica e tecnológica do país e acelerar a autonomia em áreas consideradas estratégicas. Segundo a agência Reuters, o termo inteligência artificial surge cerca de 50 vezes no documento, que inclui também um plano de ação dedicado ao desenvolvimento e aplicação desta tecnologia.
A estratégia foi apresentada durante a sessão anual do parlamento chinês, onde o primeiro-ministro Li Qiang destacou o papel das chamadas "novas forças produtivas de qualidade", conceito utilizado pelo governo para enquadrar tecnologias avançadas capazes de impulsionar crescimento económico e transformação industrial.
Entre as medidas previstas está a introdução experimental de robôs em setores com escassez de mão de obra, bem como a utilização de agentes de IA capazes de executar tarefas com intervenção humana mínima. O objetivo passa por integrar estas tecnologias em diferentes cadeias de valor industriais e em sistemas de gestão e segurança.
O plano prevê igualmente aumentar o investimento em investigação e desenvolvimento em áreas emergentes como computação quântica, robótica humanoide e comunicações móveis de próxima geração, incluindo o desenvolvimento de redes 6G. O governo pretende também apoiar investigação em interfaces cérebro-computador e outras tecnologias científicas de fronteira.
No domínio espacial, a estratégia inclui o desenvolvimento de foguetões reutilizáveis para cargas pesadas, a criação de uma rede integrada de comunicação quântica entre espaço e Terra e estudos para a construção de uma estação de investigação lunar. O país pretende ainda avançar no desenvolvimento de computadores quânticos escaláveis, reforçando a sua presença na corrida global pela computação quântica.
Um relatório associado ao planeamento estatal sustenta que a China já apresenta progressos significativos em investigação e aplicação tecnológica, indicando avanços em áreas como inteligência artificial, biomedicina, robótica e tecnologia quântica, bem como no desenvolvimento interno de semicondutores.
Pela primeira vez, o plano refere também o apoio a comunidades de desenvolvimento de IA em código aberto, sinalizando uma estratégia de promoção de ecossistemas tecnológicos mais abertos. Esta abordagem aproxima-se da estratégia seguida por empresas chinesas como a DeepSeek, que aposta em modelos de inteligência artificial com componentes abertas.
O governo definiu ainda metas económicas associadas à transformação digital. Nos próximos cinco anos, quer aumentar o peso das indústrias nucleares da economia digital para 12,5% do PIB, criar políticas para um mercado nacional integrado de dados e promover a utilização de IA em cadeias de abastecimento e sistemas de segurança.
Durante a apresentação da estratégia, Li Qiang referiu também o impacto das tensões comerciais internacionais, afirmando que o país continuará a investir em ciência e inovação para reduzir a dependência tecnológica externa, num contexto marcado por disputas comerciais e tecnológicas com os Estados Unidos.
Em operação que seria histórica no setor, criando um mega-operador