Pequim acaba de lançar uma organização de cooperação internacional em IA, que tem como objetivo garantir que não a tecnologia não se torne um monopólio de apenas algumas nações ou empresas. O anúncio foi feito pelo próprio primeiro-ministro chinês, Li Qiang, na abertura da Conferência Mundial sobre Inteligência Artificial, em Xangai.
"Os riscos e os desafios associados à inteligência artificial têm atraído uma ampla atenção" e os riscos, que vão desde perdas generalizadas de empregos a turbulências económicas, exigem "um consenso urgente" entre as nações para trabalharem em conjunto, referiu na ocasião. Considerando que "é urgente encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento e a segurança, o que requer um consenso mais alargado de toda a sociedade e mais intercâmbios internacionais".
Os Estados Unidos impuseram restrições à exportação para a China de semicondutores avançados, utilizados para treinar modelos de IA.
Já em meados de julho, o ministério da Segurança do Estado chinês alertou para os riscos associados ao uso indevido da IA, advertindo que a tecnologia pode ameaçar a estabilidade social, a proteção de dados sensíveis e a segurança nacional. Num comunicado na rede social WeChat, referiu que entidades estrangeiras podem usar conteúdos manipulados - combinando algoritmos de aprendizagem profunda com imagens, sons ou vídeos falsificados - para "instigar agitação" entre a população chinesa.
Acrescentava-se ainda que os sistemas generativos de IA são capazes de recolher, armazenar e até divulgar dados pessoais sensíveis, o que poderia ser aproveitado por serviços de inteligência estrangeiros para realizar "atividades de subversão, infiltração e sabotagem" na China.
Desde 2023, a China impõe regulamentos aos serviços de IA, obrigando as plataformas a respeitarem os "valores socialistas fundamentais" e proibindo a geração de conteúdos que atentem contra a segurança nacional, a unidade territorial e a estabilidade social. Apesar do rápido crescimento do setor de IA no país, com ‘chatbots' desenvolvidos por empresas como Alibaba, DeepSeek, Tencent ou Bytedance, subsistem dúvidas quanto à aplicação e eficácia destas tecnologias num ambiente fortemente controlado pela censura estatal.
O Ministério da Segurança do Estado utiliza com frequência a conta oficial no WeChat para divulgar casos de espionagem e apelar para a vigilância dos cidadãos, incentivando-os a desconfiar de ofertas de trabalho suspeitas, especialmente provenientes do estrangeiro, e a evitar partilhar informações confidenciais ‘online'.
Em 2023, o ministério apelou para a mobilização de toda a sociedade para "prevenir e combater a espionagem" e anunciou medidas destinadas a "reforçar a defesa nacional" contra "atividades de inteligência estrangeiras".
Superando os 11 mil milhões de dólares no seu 1º trimestre fiscal