China limita utilização de equipamentos da Nokia e Ericsson

2025-10-02

A China está a limitar a utilização de equipamentos de telecomunicações de empresas europeias como a Nokia e a Ericsson nas suas redes. O objetivo de Pequim é proteger as infraestruturas tecnológicas críticas e afastar a influência ocidental.
Referindo fontes com conhecimento na matéria, o Financial Times avança que os compradores de equipamentos de TI apoiados pelo Estado, incluindo operadoras de telecomunicações, serviços públicos e outras indústrias, começaram a analisar de maneira mais rigorosa as propostas de fornecedores estrangeiros. 
Agora, o processo requer que contratos apresentados pela Ericsson e Nokia sejam submetidos a análises mais "apertadas" em termos de segurança nacional, pela Administração do Ciberespaço da China. Estas análises podem prolongar-se por três meses ou mais e, até nos casos em que as empresas europeias conseguem uma aprovação, acabam por ficar em desvantagem em relação às rivais chinesas, que não enfrentam o mesmo nível de escrutínio.
O jornal britânico diz que os esforços da China mo sentido de limitar a utilização de equipamento europeu se aprofundaram a partir de 2022, quando se procedeu a uma atualização da lei da cibersegurança do país. Passou a ser exigido a todos os operadores de infraestruturas de informação críticas que submetam à Administração do Ciberespaço da China qualquer compra que possa representar um risco para a segurança.
As crescentes restrições impostas pelo governo chinês levaram a uma queda na quota de mercado da Ericsson e Nokia na China. Dos 12% que tinham em 2020, passaram a 4% no ano passado. "Se a China está a fazer isso por razões de segurança nacional, a questão é porque é que a Europa não retribui, aplicando o mesmo padrão", questiona uma das fontes do Financial Times.
Mas este esforço de Pequim para restringir os fornecedores europeus segue uma iniciativa semelhante em curso na Europa, com alguns governos a alertar contra o trabalho com as gigantes chinesas de telecomunicações Huawei e ZTE. No entanto, estes apelos tiveram um impacto limitado na participação de mercado das empresas chinesas.
As revisões de segurança nacional da China surgem num momento em que Xi está a impulsionar uma iniciativa de fortalecimento interno, com o objetivo de substituir grande parte da tecnologia estrangeira. No mês passado, com Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong Un, da Coreia do Norte, ao seu lado, Xi declarou que a China "não teme o poder ou a coerção", pois "mantém-se firme por conta própria com autossuficiência".
 


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