Pequim iniciou uma investigação ao acordo de venda da plataforma chinesa de inteligência artificial Manus à tecnológica norte-americana Meta, por dois mil milhões de dólares. Querem averiguar se a Manus desenvolveu tecnologias sujeitas a controlo de exportação enquanto operava na China, avança o Financial Times.
Segundo o jornal britânico, o ministério do Comércio da China está a analisar se a venda, concluída após a mudança da sede da Manus para Singapura, violou os controlos de exportação de tecnologias sensíveis impostos por Pequim. Num contexto de crescentes tensões entre a China e os EUA, especialmente na IA, esta operação representa um raro caso de aquisição de uma empresa chinesa por parte de uma gigante tecnológica dos Estados Unidos.
Assim, o académico chinês Cui Fan, da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, defende que as investigações devem averiguar se a Manus desenvolveu tecnologias sujeitas a controlo enquanto operava na China. "Pensar que romper laços com a China pode servir para contornar os regulamentos, tanto da China como dos EUA é simplista", escreveu na rede social WeChat.
A mudança da Manus para Singapura ocorreu após uma ronda de financiamento liderada pela norte-americana Benchmark, o que colocou a empresa sob o radar do Departamento do Tesouro dos EUA, no âmbito das restrições ao investimento norte-americano em IA chinesa.
Fontes citadas pelo Financial Times sublinham que a revisão ainda está numa fase preliminar e pode não resultar numa investigação formal. No entanto, caso avance, poderá permitir a Pequim influenciar ou até bloquear o negócio.