Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft e Oracle emitiram cerca de 194 mil milhões de dólares em obrigações até 7 de julho, mais 79% do que no conjunto de 2025. Objetivo: financiar data centers e outras infraestruturas associadas à inteligência artificial. As contas são da Goldman Sachs, que estima que as emissões dos principais hiperescaladores possam atingir os 250 mil milhões de dólares no conjunto deste ano e subir para cerca de 400 mil milhões em 2027. A dívida estará já a financiar aproximadamente um terço das despesas de capital das tecnológicas.
A evolução representa uma mudança na estrutura financeira das grandes tecnológicas norte-americanas. Empresas que habitualmente recorriam à geração interna de caixa estão a utilizar de forma crescente obrigações, financiamento bancário, capital externo e sociedades de infraestrutura para suportar a expansão computacional.
Em conjunto, a Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft deverão investir este ano mais de 700 mil milhões de dólares, sobretudo em servidores, chips, redes, terrenos, sistemas de arrefecimento e contratos de energia. A dimensão dos programas de expansão está a aproximar as tecnológicas dos setores tradicionalmente intensivos em capital, como energia, telecomunicações e transportes. A diferença é que uma parte dos ativos está a ser construída antes de existir visibilidade completa sobre a procura e o retorno financeiro de longo prazo.
O recurso à dívida permite distribuir o custo por várias décadas e preservar a liquidez para aquisições, investigação e remuneração dos acionistas. Mas cria encargos financeiros permanentes e aumenta a dependência da evolução das taxas de juro e da confiança dos investidores.
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