A Ericsson e a Nokia juntaram-se à Nordic Compass, uma nova aliança empresarial nórdica que pretende reforçar a competitividade, resiliência económica e capacidade industrial da região em áreas consideradas críticas para o futuro da Europa. A iniciativa reúne mais de 25 empresas, fundações e organizações dos países nórdicos e coloca a conectividade avançada e as infraestruturas digitais no centro da estratégia de crescimento regional.
A Nordic Compass, apresentada como uma mesa-redonda industrial nórdica, vai focar-se em quatro áreas estratégicas: mercados de capitais, deep tech, defesa e energia. O objetivo é desenvolver iniciativas conjuntas, lideradas pela indústria, que possam ser implementadas e escaladas rapidamente, numa altura em que a Europa procura responder à perda de competitividade face aos Estados Unidos e à China.
A presença da Ericsson e da Nokia dá especial peso ao eixo das infraestruturas digitais. As duas empresas são fornecedores globais de tecnologia de redes e têm sido centrais no debate europeu sobre soberania digital, 5G, redes seguras, cloud, IA e infraestrutura crítica. A entrada na Nordic Compass sinaliza a intenção de usar a cooperação regional como instrumento para acelerar investimento e capacidade tecnológica.
Jenny Lindqvist, responsável pela área de Cloud Software and Services da Ericsson, que representará a empresa na iniciativa, defende que o ecossistema de inovação nórdico pode desempenhar um papel relevante no reforço da competitividade europeia. A responsável sublinha que a tecnologia e a conectividade avançada devem ser usadas para impulsionar crescimento sustentável na região e na Europa.
A aliança surge num contexto em que governos e empresas europeias procuram novas formas de acelerar o investimento em data centers, IA, comunicações seguras e infraestruturas energéticas. Segundo os promotores da iniciativa, a cooperação público-privada será essencial para transformar capacidades industriais já existentes em resultados concretos.
A Nordic Compass é presidida por Jyrki Katainen, antigo primeiro-ministro da Finlândia e ex-vice-presidente da CE para o Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade. Considera que a Europa está envolvida num debate necessário sobre competitividade, mas que os processos europeus demoram tempo. Na sua leitura, os países nórdicos podem avançar mais depressa e demonstrar capacidade de execução.
Além da Ericsson e da Nokia, a aliança inclui grupos industriais, financeiros e energéticos como Aker ASA, Alfa Laval, Danfoss, EQT, KONE, Nasdaq Nordic, Nordea, Novo Nordisk Foundation, Saab, SEB, Ørsted e Vattenfall, bem como a Nordic Innovation e o fundo finlandês Sitra. As operações diárias serão asseguradas pela Dalberg e pela Enterprise Think Tank.
As primeiras iniciativas deverão ser apresentadas na Nordic Compass Summit, que terá lugar em novembro, em Gotemburgo. A escolha da cidade é simbólica: Gotemburgo é um dos principais centros industriais da Suécia e pretende afirmar-se como exemplo de colaboração entre empresas, setor público e inovação aplicada.
A criação da Nordic Compass confirma uma tendência mais ampla: perante a fragmentação geopolítica e tecnológica, a Europa procura modelos regionais de cooperação capazes de produzir resultados mais rápidos do que os mecanismos tradicionais da UE. Para Ericsson e a Nokia, a aposta pode reforçar o papel das empresas nórdicas na definição das próximas infraestruturas digitais europeias, num momento em que conectividade, energia, defesa e IA se tornam dimensões interdependentes da competitividade.
Testando apetite dos mercados pela nova infraestrutura digital
Sempre sujeito a critérios claros, verificável e com medidas de mitigação
Acelerando ambição de transformar a Europa num continente líder em IA