EUA autorizam venda de chips Nvidia H200 a empresas chinesas

2026-05-14

A Casa Branca autorizou cerca de dez empresas chinesas a comprarem chips Nvidia H200, um dos processadores mais avançados da tecnológica norte-americana para IA. A decisão pode reabrir parcialmente o acesso da Nvidia ao mercado chinês, mas ainda não há registo de entregas, num sinal de que a tensão tecnológica entre Washington e Pequim continua a condicionar o negócio.
Segundo a Reuters, entre as empresas autorizadas estão a Alibaba, Tencent, ByteDance, JD.com, Lenovo e Foxconn. Cada entidade poderá adquirir até 75 mil chips H200, diretamente à Nvidia ou através de intermediários autorizados. A autorização surge num momento sensível, coincidindo com a visita oficial de Donald Trump à China, sendo que na comitiva está o CEO da Nvidia, Jensen Huang.
O H200 é um dos chips mais poderosos da Nvidia para cargas de trabalho de IA, ficando abaixo dos modelos Blackwell mais avançados, mas acima de soluções anteriormente adaptadas para o mercado chinês. A sua utilização é crítica para treinar e executar modelos de IA generativa, acelerar data centers e suportar aplicações empresariais intensivas em computação.
Apesar da autorização norte-americana, as empresas chinesas ainda não terão avançado com encomendas efetivas ou recebido equipamentos. Fontes citadas pela Reuters indicam que Pequim estará a incentivar os grupos nacionais a apostar em tecnologia interna, como parte de uma estratégia de soberania tecnológica e redução da dependência de fornecedores norte-americanos. A estratégia passa por reforçar a capacidade nacional em semicondutores, modelos de IA e infraestrutura computacional, numa altura em que os controlos de exportação dos EUA continuam a limitar o acesso da China aos chips mais avançados.
Para a Nvidia, a autorização representa uma oportunidade relevante. A empresa já dominou o mercado chinês de chips de IA, mas viu a sua posição ser afetada pelas restrições impostas por Washington. Jensen Huang tem defendido que limitar demasiado as exportações pode prejudicar as empresas norte-americanas e acelerar o desenvolvimento de alternativas chinesas.
O acordo, contudo, não elimina as preocupações de segurança. As licenças norte-americanas incluem limitações ao uso militar e exigem um modelo de controlo apertado das vendas. Segundo a Reuters, as condições impostas pelos EUA e a necessidade de os chips passarem por território norte-americano terão levantado reservas em Pequim, incluindo receios de dependência externa e eventual interferência na cadeia de fornecimento.
A decisão evidencia o equilíbrio difícil da política tecnológica norte-americana. Washington procura manter liderança em IA, impedir o uso militar de tecnologia avançada por rivais estratégicos e, ao mesmo tempo, não excluir as suas empresas de um dos maiores mercados mundiais. Para a China, o dilema é semelhante: aceder à capacidade da Nvidia no curto prazo ou acelerar a substituição por soluções nacionais, mesmo que ainda não tenham o mesmo desempenho.
 


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