Europa precisa de acelerar transformação digital

2022-07-29 A UE tem avançado, durante a pandemia de Covid-19, com os esforços de digitalização. Mas os estados-membros ainda lutam para colmatar as lacunas nas competências digitais, na transformação digital das PME e na implantação das redes 5G. É necessário intensificar os esforços nestas áreas e as verbas dos PRR's nacionais, com cerca de 127 mil milhões de euros dedicados a reformas e investimentos no digital surgem como uma oportunidade sem precedentes para acelerar a transformação. A UE e os seus estados-membros não podem dar-se ao luxo de a perder, alerta a Comissão Europeia no DESI 2022.
A edição desde ano do Digital Economy and Society Index (DESI), que acaba de ser divulgada, mostra que maioria dos estados-membros está a fazer progressos na sua transformação digital, mas que a adoção de tecnologias digitais fundamentais pelas empresas, como a IA e a big data, continua a ser baixa. É, por isso, necessário intensificar esforços para assegurar a plena implantação das infraestruturas de conectividade, com destaque oara o 5G, que permitirão mais serviços e aplicações inovadores. Também na área das competências digitais é preciso fazer maiores progressos.
"A transição digital está a acelerar. A maioria dos estados-membros está a progredir na construção de sociedades e economias digitais resilientes. Desde o início da pandemia, temos feito esforços significativos para apoiar os estados-membros na transição. Seja através dos Planos de Recuperação e Resiliência, do Orçamento da UE ou, mais recentemente, também através do Diálogo Estruturado sobre Educação e Competências Digitais. Precisamos de aproveitar ao máximo os investimentos e reformas necessários para cumprir os objetivos da Década Digital em 2030. Portanto, a mudança tem de acontecer já e agora", refere Margrethe Vestager, vice-presidente da CE.
"Estamos a fazer progressos na UE em direção aos nossos objetivos digitais e temos de continuar os nossos esforços para fazer da Europa um líder global na corrida tecnológica. O DESI mostra onde necessitamos de reforçar ainda mais o nosso trabalho, como estimular a digitalização da nossa indústria, incluindo as PME. Precisamos de intensificar os esforços para garantir que todas as PME, empresas e indústrias da UE disponham das melhores soluções digitais e tenham acesso a uma infraestrutura de conectividade digital de classe mundial", acrescenta o Comissário para o Mercado Interno, Thierry Breton.
Recorde-se que a proposta da CE sobre o caminho para a Década Digital, acordada pelo Parlamento Europeu e pelos estados-membros, visa facilitar uma colaboração mais profunda para se avançar em todas as dimensões abrangidas pelo DESI. E fornece um quadro para os estados-membros assumirem compromissos conjuntos e estabelecerem projetos multi-países, que reforçarão a sua força e resiliência coletivas no contexto global.
O DESI 2022 mostra que a Finlândia, Dinamarca, Países Baixos e Suécia continuam a ser os primeiros países em termos de digitalização. Mas mesmo estes se vêm confrontados com lacunas em áreas-chave: é que a adoção de tecnologias digitais avançadas permanece abaixo dos 30% e muito longe do objetivo de 75% definido no âmbito da Década Digital. Acresce a generalizada escassez de competências, que está a abrandar o progresso global e a levar à exclusão digital.
Destaca-se ainda uma tendência geral de convergência positiva: a UE continua a melhorar o seu nível de digitalização e os estados-membros que partiram de níveis mais baixos estão gradualmente a recuperar o atraso, crescendo a um ritmo mais rápido. É o caso da Itália, Polónia e Grécia, que melhoraram substancialmente as suas pontuações ao longo dos últimos cinco anos, implementando investimentos sustentados com um enfoque político reforçado no digital, também apoiado por financiamento europeu.
Quanto à adoção de tecnologias-chave durante a pandemia, constata-se que as empresas foram pressionadas para utilizar soluções digitais, nomeadamente a cloud, que atingiu os 34%. No entanto, a utilização da IA e do dib gata ficou muito aquém, respetivamente em 8% e 14%). Bruxelas considera que são tecnologias-chave, que trazem um enorme potencial de inovação e ganhos de eficiência significativos, particularmente entre as PME.
Acresce que apenas 55% das PME da UE têm pelo menos um nível básico na digitalização, quando o objetivo para 2030 é de pelo menos 90%. O que mostra que quase metade das PME não estão a aproveitar as oportunidades criadas pelo digital.
Ainda assim, em 2021 a conectividade Gigabit aumentou na Europa. O DESI 2022 mostra que a cobertura das redes de fibra atingiu 50% dos lares, conduzindo a uma cobertura global de rede fixa de muito alta capacidade até 70% (a meta é de 100% até 2030). Também a cobertura de 5G aumentou para 66% das áreas povoadas na UE. A CE salienta, contudo, que a atribuição do espectro ainda não está completa: apenas 56% do espectro total harmonizado de 5G foi atribuído na grande maioria dos estados-membros (Estónia e Polónia são exceções). Acresce que alguns dos números de cobertura muito elevados dependem da partilha do espectro de frequências de 4G ou do espectro de baixa banda 5G, o que ainda não permite a plena implantação de aplicações avançadas.
Alerta-se que resolver estas lacunas é essencial para libertar o potencial de 5G e permitir novos serviços com um elevado valor económico e social, como a mobilidade conectada, produção avançada, sistemas de energia inteligentes ou eHealth.
No que respeita ao setor público, a prestação online de serviços públicos essenciais é generalizada na maioria dos estados-membros.
O comunicado da CE relembra, que foram disponibilizados recursos significativos para apoiar a transformação digital. E que 127 mil milhões de euros serão dedicados a reformas e investimentos relacionados com o digital em 25 Planos Nacionais de Recuperação e Resiliência, até agora aprovados pelo Conselho. Os estados-membros canalizaram para a transformação digital cerca de 26% das verbas dos seus PRR's, acima do valor mínimo fixado em 20% E países como a Áustria, a Alemanha, o Luxemburgo, a Irlanda e a Lituânia vão mesmo canalizar para o digital mais de 30% das dotações.
"Esta é uma oportunidade sem precedentes para acelerar a digitalização, aumentar a resiliência da União e reduzir as dependências externas, tanto com reformas como com investimentos", destaca-se
O DESI mede os progressos dos estados-membros da UE no sentido de uma economia e sociedade digitais, com base nos dados do Eurostat e em estudos especializados e métodos de recolha.

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