Os cibercriminosos continuam a explorar a chamada "fadiga do clique" dos utilizadores - especialmente em momentos de navegação rápida e sob pressão de tempo, como na reserva de viagens. O alerta é do mais recente Relatório de Análise de Ameaças, da HP, que faz uma análise de ciberataques reais para ajudar as rganizações a manterem-se a par das técnicas mais recentes que os cibercriminosos estão a utilizar para evitar a deteção e violar PCs num panorama de cibercrime em rápida mudança.
O relatório detalha uma investigação sobre domínios suspeitos - relacionados a uma campanha anterior com o tema CAPTCHA - que revelou sites falsos de reservas de viagens. Os sites falsificados apresentam uma marca que imita a booking.com, mas com o conteúdo desfocado e um banner de cookies enganoso, projetado para induzir os utilizadores a clicar em «Aceitar» - acionando o download de um ficheiro JavaScript malicioso.
A abertura do ficheiro instala o XWorm, um trojan de acesso remoto (RAT) que dá aos atacantes controlo total do dispositivo, incluindo acesso a ficheiros, webcams, microfones e a capacidade de implementar mais malware ou desativar ferramentas de segurança.
A campanha foi detetada pela primeira vez no primeiro trimestre de 2025, coincidindo com o pico do período de reservas para as férias de verão. Esta é uma altura em que os utilizadores estão particularmente vulneráveis a esquemas relacionados com viagens. Ainda assim, a campanha continua ativa, com novos domínios a serem registados e utilizados para disseminar o mesmo tipo de isco associado a reservas.
"Desde a introdução de regulamentos de privacidade, como o RGPD, os avisos de cookies tornaram-se tão normalizados que a maioria dos utilizadores adquiriu o hábito de clicar primeiro, pensar depoi". Ao imitar a aparência de um site de reservas numa altura em que os turistas se apressam a fazer planos de viagem, os atacantes não precisam de técnicas avançadas - basta um aviso na hora certa e o instinto do utilizador de clicar", refere em comunicado Patrick Schläpfer, investigador principal de ameaças do HP Security Lab.
Com base em dados de milhões de terminais que executam o HP Wolf Security, os investigadores de ameaças da HP também descobriram ficheiros impostores escondidos à vista de todos. Os atacantes recorreram a ficheiros da biblioteca do Windows para introduzir malware em pastas locais com nomes familiares, como «Documentos» ou «Transferências». As vítimas viam uma janela pop-up do Explorador de Ficheiros do Windows, que mostrava uma pasta remota WebDAV contendo um atalho com aparência de ficheiro PDF. Ao clicarem nesse atalho, o malware era executado
Verificaram ainda a existência da armadilha do PowerPoint, que imita a abertura de uma pasta. Um ficheiro PowerPoint malicioso, ao ser aberto em modo de ecrã inteiro, simula a abertura de uma pasta comum. Quando os utilizadores tentam sair, acabam por acionar o download de um ficheiro que contém um VBScript e um executável. Este, por sua vez, descarrega uma carga maliciosa alojada no GitHub, infetando o dispositivo.
Também os ficheiros Microsoft Installer em ascensão e estão agora entre os principais tipos de ficheiros usados para distribuir malware, impulsionados em grande parte pelas campanhas ChromeLoader. Frequentemente distribuídos por meio de sites de software falsificados e malvertising, esses ficheiros usam certificados de assinatura de código válidos e emitidos recentemente para parecerem confiáveis e contornar os avisos de segurança do Windows.
Ao isolar ameaças que escaparam das ferramentas de deteção em PCs, mas ainda permitindo que o malware seja executado com segurança dentro de containers seguros, a HP Wolf Security tem uma visão privilegiada sobre as técnicas mais recentes utilizadas pelos cibercriminosos. Até à data, os clientes da HP Wolf Security1 clicaram em mais de 50 mil milhões de anexos de e-mail, páginas web e ficheiros descarregados sem que tenham sido relatadas violações.
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