Intel aumenta perdas e corta 33 mil postos de trabalho até ao final de 2025

2025-07-25

A fabricante mundial de chips continua em dificuldades em fazer frente à concorrência na corrida à IA. No segundo trimestre do ano, manteve as receitas, mas aumentou as perdas. A aposta é agora o corte de custos, que abrangerá uma redução de 33 mil postos de trabalho até final deste ano, ou seja, um terço da sua força de trabalho. Esta é uma das maiores reduções da história da tecnológica, com impacto direto na Europa.

No total, a Intel apresentou entre abril e junho receitas de 12,9 mil milhões de dólares, registando perdas líquidas de 2,9 mil milhões de dólares, acima dos 1,6 mil milhões que teve um ano antes. Para fazer face à sua situação, tem em marcha um plano de ação para melhorar a execução e eficiência, com o objetivo de cortar despesas de operação em 17 mil milhões em 2025 e 16 mil milhões em 2026.

Este plano passa pelo corte de efetivos. Em abril, o anunciou a redução de 21 mil postos de trabalho, mas até ao final do ano vão ser afetados mais funcionários. A empresa estima que serão cerca de 33 mil, reduzindo o quadro global de efetivos para aproximadamente 75 mil funcionários.

"A nossa performance operacional demonstra o progresso inicial que estamos a fazer para melhorar a nossa execução e conduzir a uma maior eficiência", diz em comunicado. Onde explica que a empresa está focada em reforçar o seu portfólio de produtos e a traçar um cronograma de IA para melhor servir os seus clientes. E garante que vê claras oportunidades para aumentar a sua posição competitiva, melhorar a rentabilidade e criar valor a longo-prazo para os seus acionistas.

Entretanto, já anunciou a suspensão dos projetos de construção de novas fábricas e centros de investigação em países como a Alemanha e a Polónia, onde estavam previstos investimentos de dezenas de milhares de milhões de euros. O mais emblemático era a mega fábrica de Magdeburgo, na Alemanha, vista como a grande aposta da Intel para reforçar a produção de processadores no continente europeu. Também em França, Itália e Espanha, os planos de desenvolvimento de centros de investigação e produção suspensos, restando apenas a fábrica da Irlanda como principal pilar europeu.

O CEO da Intel, Patrick Gelsinger, refere que estes investimentos ficam adiados por, pelo menos, dois anos, justificando a decisão com a necessidade de adaptar o ritmo de investimento à procura do mercado. Esta é uma fase em que a empresa está a passar de uma fase de investimento acelerado para uma abordagem mais cautelosa e flexível.

No continente americano, a Costa Rica também foi fortemente afetada pela reestruturação. A Intel vai consolidar as operações de montagem e teste de processadores, transferindo grande parte destas atividades para o Vietname. Isto significa o fim das operações industriais no país, onde a empresa empregava mais de 3,4 mil pessoas. Mas manterá o seu centro de investigação e serviços na Costa Rica, preservando cerca de mil postos de trabalho qualificados.

 


De acordo com Relatório Anual 2026 sobre o Mercado Único


Criando a empresa privada mais valiosa do mundo


Reforçando reforça aposta na IA e hardware


Num valor até 135 mil milhões de dólares