ManpowerGroup define 14 tendências para o mundo do trabalho

2024-02-15

As alterações demográficas, a adoção tecnológica, os aceleradores da competitividade e a escolha individual são as quatro grandes forças que estão a alterar o futuro do mundo do trabalho. E que permitem antever 14 tendências que refletem a transição para um novo equilíbrio entre trabalhadores e empregadores. Crescente adaptação é a palavra-chave, como revela um novo estudo de tendências do ManpowerGroup para 2024.

Denominado "The Age of Adaptabiliy, o relatório reforça a ideia da Human Age, no âmbito da qual o capital humano se tornou um grande diferenciador e motor do crescimento económico, com a tecnologia a permitir aumentar as capacidades humanas em vez de as substituir. O trabalho reforça a análise da crescente transformação digital e avalia o impacto de uma série de novos fatores, como os desequilíbrios geracionais, o foco na diversidade, equidade e inclusão, a transição verde e a crescente consumerização do trabalho.

Assim a 1ª tendência é a redução do fosso entre gerações, através do reskilling e upskilling estratégicos. As organizações enfrentam o desafio de gerir o aumento da geração Z na sua força de trabalho. Esta geração representará 58% do total de trabalhadores até 2030, enquanto a população trabalhadora experiente está de saída. Esse desequilíbrio demográfico coloca diversos desafios à gestão do talento, com a perda de conhecimento provocada pela saída dos baby boomers que estão a reformar-se, a procura, por parte da geração Z, de novas competências e a necessidade de requalificação dos trabalhadores em meio de carreira, para que possam aceder a novas funções. A requalificação e a mentoria direcionadas e os programas de formação multidisciplinar contribuem para ajudar os trabalhadores da geração Z e os mais experientes a partilhar o conhecimento tradicional, reduzindo os desequilíbrios de talento entre gerações e ajudando a fidelizar os trabalhadores maduros.  

Porque é que a força de trabalho do presente - e do futuro - será impulsionada pelas mulheres é a 2ª tendência. Milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho durante a pandemia, num movimento que, muitos temeram, levaria décadas a corrigir. No entanto, a recuperação está a ser notavelmente rápida, com as taxas de emprego feminino a voltar aos níveis pré-pandemia em apenas três anos. Hoje,  as mulheres representam ligeiramente mais de 50% da força de trabalho global, sendo crucial garantir a representação adequada das mulheres nas bases de talento, especialmente em sectores em crescimento, onde ainda ocupam menos de um terço dos cargos de gestão e liderança e áreas relacionadas com a tecnologia.

A promoção da diversidade, equidade, inclusão e pertença (DEIB), como um catalisador de inovação e criatividade, é outra das tendências. Tornou-se uma estratégia fundamental de negócio, gerando benefícios como o aumento da inovação e uma maior capacidade de atrair e reter talento. As equipas diversas trazem perspetivas mais amplas e o melhor talento valoriza cada vez mais um ambiente inclusivo na hora de escolher um emprego. No entanto, ainda há um importante caminho a percorrer por parte das empresas e uma disparidade na perceção por parte dos colaboradores, já que enquanto 68% dos líderes afirmam proporcionar um ambiente inclusivo, apenas 36% dos colaboradores concordam com essa afirmação.

Segue-se o talento imigrante, que é fundamental. A escassez de talento atual impulsiona os empregadores a adotar abordagens inovadoras de atração de profissionais, recorrendo a bases de talento globais. A integração bem-sucedida de equipas multiculturais cria vantagens sustentáveis, aliviando a atual escassez de talento e gerando benefícios adicionais a longo prazo. As organizações mais inovadoras estão a liderar na atração de competências a nível mundial, implementando as melhores práticas de inclusão que atraem candidatos internacionais. As suas forças de trabalho integradas representam melhor a diversidade de valores e perspetivas dos clientes, impulsionando uma maior inovação.

Pôr as pessoas no coração da IA terá de ser outra aposta, numa altura em que a ascensão da IA está a transformar o mundo do trabalho, com as empresas a antecipar uma perturbação de 23% nos empregos nos próximos cinco anos, entre a criação de novas funções e a eliminação de outras. Há que aproveitar o potencial desta tecnologia para impulsionar o crescimento e os ganhos de produtividade, as empresas deverão dar a prioridade às pessoas, adotando abordagens inovadoras que incorporem as necessidades, competências e o bem-estar dos trabalhadores, à medida que a tecnologia se torna incontornável no seu trabalho.

Antecipa-se ainda que a IA crie mais empregos do que os que destruirá. A combinação da inovação tecnológica com o engenho humano irá gerar um maior crescimento económico e ajudar a superar os desafios da sociedade. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos abrem oportunidades para um trabalho mais significativo, se as pessoas tiverem as competências necessárias. À medida que as empresas se adaptam à IA, o futuro do trabalho será impulsionado pelos humanos, que deverão requalificar-se para colaborar efetivamente com as tecnologias modernas. As pessoas devem mudar as suas perspetivas e encarar a IA como uma oportunidade para expandirem os seus conhecimentos técnicos e competências profissionais.

O paradoxo da produtividade: explorar o potencial humano e a tecnologia avançada é a 7ª tendência. Para desbloquear a produtividade latente, as empresas devem procurar a combinação ideal entre pessoas e tecnologia, melhorando a cultura organizacional e desenvolvendo as lideranças.

Segue-se a transição verde promovida pelas pessoas. Na procura de uma maior sustentabilidade, organizações e sociedade como um todo têm de ter um foco crescente no impacto nas pessoas e na prosperidade. A transformação verde das empresas será o primeiro criador de emprego, a nível mundial, nos próximos cinco anos, segundo dados do Fórum Económico Mundial, pelo que investir nas competências necessárias para assumir funções ligadas à sustentabilidade e implementar estratégias de net zero torna-se, cada vez, mais um imperativo ambiental, económico e social.

Gerir a transformação contínua é o desafio dos managers e outra das tendências. Os managers tiveram um papel fundamental, na gestão do período pandémico, aprendendo a liderar remotamente, a motivar equipas e promover o bem-estar e saúde mental. Agora, enfrentam um novo desafio, com a necessidade de guiar as equipas num contexto de transformação acelerada, impulsionada pela IA, a automatização e a procura de uma maior sustentabilidade.

Como 10ª tendência surge o Onshore vs. Nearshore vs. Offshore. O risco e a incerteza vão continuar a impactar as empresas no próximo ano, impulsionados pelos cenários de conflito, pelo receio de uma recessão e pelas perturbações nas cadeias de abastecimento. Estas últimas estão gradualmente a ser atenuadas, mas ainda persistem desafios como a segurança e as disrupções nos trajetos, a procura de maior sustentabilidade, a volatilidade da procura e a variabilidade nos custos dos combustíveis. As empresas estão a preparar-se para futuras perturbações, diversificando redes de fornecedores e bases de talento. Nesse sentido, 53% dos fabricantes afirmam ter near- ou re-shored as suas operações nos últimos 24 meses, em resposta à crescente incerteza geopolítica e ao aumento dos salários em alguns países em desenvolvimento.

Encontrar o equilíbrio salarial certo e a nova ‘Economia do Eu' também são tendências. Está a surgir uma nova relação entre trabalhador e empregador, em que as pessoas esperam "consumir" o trabalho tal como consomem outros aspetos das suas vidas - de acordo com os seus próprios horários e de uma forma adaptada às suas necessidades individuais. Nesta "Me Economy", os trabalhadores valorizam flexibilidade, autonomia e equilíbrio entre vida profissional e laboral. De entre os benefícios profissionais mais valorizados, destacam a semana de trabalho de quatro dias (64%), horários flexíveis (45%) e a opção de trabalho remoto (35%).

A 13ª tendência é a constatação de que a geração Z está a definir o futuro da cultura de trabalho. A saúde mental assume um papel central, destacando a necessidade de as organizações contarem com líderes e gestores atentos a esta questão. As organizações que se adaptarem a estas mudanças culturais, promovendo ambientes flexíveis e psicologicamente seguros, terão vantagens na atração e retenção de talento, especialmente considerando que apenas 15% da geração Z avalia a sua saúde mental como excelente.

A última tendência é o foco nas pessoas e criar uma experiência de colaborador em torno das necessidades individuais. É que a era da personalização, já presente no mercado de consumo, está agora a moldar o ambiente de trabalho. Os colaboradores procuram uma experiência mais personalizada e as empresas inovadoras respondem com programas de onboarding personalizados, módulos de formação à medida e algoritmos de seleção de benefícios. A experiência do colaborador está a evoluir para um modelo "on-demand", onde a IA e machine learning conseguem identificar conjuntos de competências e interesses específicos a cada colaborador, para propor planos individualizados de progressão na carreira, ao mesmo tempo que respondem a objetivos de negócio.


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