A Meta registou receitas de 60,8 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2026, mais 28% do que no mesmo período do ano anterior. Mas viu o resultado líquido cair 14%, para 15,85 mil milhões, pressionada pelo aumento dos custos com a aposta na IA e a reestruturação do grupo. Ainda assim, ajustou a previsão de investimento anual para um intervalo entre 130 mil milhões e 145 mil milhões de dólares. O limite inferior foi elevado face à estimativa anterior e o valor máximo representa mais do dobro da despesa realizada em 2025.
A evolução da tecnológica foi penalizada por 2,4 mil milhões de dólares em encargos legais e 1,18 mil milhões associados à reestruturação e saída de trabalhadores. O resultado operacional diminuiu 8%. Foram cortados cerca de oito mil postos de trabalho durante a reorganização das equipas em torno da inteligência artificial. Excluindo os custos legais e as indemnizações, o resultado operacional teria crescido aproximadamente 9%.
O crescimento das receitas foi sustentado sobretudo pela publicidade, que aumentou cerca de 27%. A inteligência artificial já contribui para este negócio através da recomendação de conteúdos, seleção de audiências, criação de anúncios e otimização das campanhas.
O número diário de utilizadores da família de aplicações - Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger - aumentou 3%, para cerca de 3,6 mil milhões. O Instagram atingiu dois mil milhões de utilizadores diários e o Threads chegou aos 500 milhões de utilizadores mensais.
A evolução confirma que a publicidade permanece a principal fonte de receitas e o mecanismo que financia a expansão da infraestrutura. A Meta procura, contudo, desenvolver novas formas de monetização, incluindo agentes para empresas, subscrições pagas de IA e dispositivos inteligentes. O fundador e líder do grupo, Mark Zuckerberg, reiterou que a estratégia passa por criar agentes pessoais de IA capazes de conhecer o contexto, as preferências e os objetivos de cada utilizador.
Considera que estes sistemas poderão transformar a utilização das redes sociais, a publicidade, o comércio eletrónico, os serviços de apoio às empresas e os dispositivos vestíveis. A infraestrutura está a ser construída antecipadamente para assegurar capacidade caso a procura cresça rapidamente.
Mas esta aposta cria um desfasamento financeiro: os data centers, chips e contratos energéticos exigem investimento imediato, enquanto as novas fontes de receita poderão demorar vários anos a alcançar escala. A Meta admite monetizar capacidade computacional excedentária, mas Zuckerberg indicou que a prioridade continuará a ser a utilização interna para desenvolver modelos e produtos próprios.
Já as despesas totais cresceram 55% no trimestre, refletindo remunerações, infraestrutura, custos legais e aquisição de capacidade de IA a terceiros. Na infraestrutura, o aumento resulta da maior depreciação dos ativos, dos custos de operação dos data centers e da utilização de serviços de cloud externos. A empresa paga também por tokens e modelos fornecidos por terceiros, enquanto amplia as capacidades internas. A previsão de despesas totais para 2026 subiu, ficando num intervalo entre 165 mil milhões e 169 mil milhões de dólares.
Os encargos legais incluem processos relacionados com os efeitos das plataformas sobre crianças e jovens. A Meta enfrenta cerca de três mil ações e vários estados norte-americanos reclamam indemnizações que, no cenário máximo, poderão atingir valores muito elevados. A empresa contesta as acusações e considera que desenvolveu ferramentas de proteção, controlo parental e limitação de conteúdos. Os processos poderão, contudo, aumentar os custos e obrigar a alterações no desenho e funcionamento das plataformas.
Para o terceiro trimestre, a Meta antecipa receitas entre 61 mil milhões e 64 mil milhões de dólares no terceiro trimestre. O intervalo ficou ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas.
Fabricante do iPhone supera Nvidia numa corrida marcada por estratégias opostas na IA
Aumentando a sua ambição inicial para a futura infraestrutura europeia
Defendendo estratégia multimodelo para proteger dados, custos e autonomia