A Meta e fundos geridos pela BlackRock criaram uma parceria para financiar, desenvolver e operar um campus de data centers em El Paso, no Texas, avaliado em cerca de 14 mil milhões de dólares e com capacidade para atingir 1 gigawatt. A nova empresa será detida em 80% pelos fundos da BlackRock e em 20% pela Meta. O projeto destina-se a suportar a expansão da infraestrutura computacional da tecnológica, num momento em que o treino e a operação de modelos de inteligência artificial exigem níveis crescentes de capital, energia e capacidade de processamento.
A BlackRock deverá investir 4,9 mil milhões de dólares em capital e liderar um financiamento por dívida de aproximadamente 12,5 mil milhões. A Meta vai transferir para a nova sociedade terrenos e ativos em construção avaliados em cerca de 2,3 mil milhões de dólares. A operação inclui ainda uma distribuição de mil milhões de dólares à Meta, destinada a alinhar a sua participação económica com os restantes investidores.
O modelo permite à Meta utilizar a capacidade do campus através de contratos de longo prazo, sem ter de suportar diretamente todo o investimento inicial nem manter a totalidade dos ativos no seu balanço. Na prática, o projeto será financiado e detido maioritariamente por investidores institucionais, enquanto a Meta assegura a procura que sustenta as receitas da infraestrutura.
Este tipo de estrutura reduz a necessidade de mobilizar imediatamente capital próprio para a construção, mas cria compromissos de pagamento durante vários anos. O risco financeiro não desaparece, mas é redistribuído entre acionistas, credores, proprietários dos ativos e cliente tecnológico.
A Meta não divulgou a duração dos contratos de utilização nem o calendário completo de entrada em funcionamento do campus. Mas anunciou que a infraestrutura poderá escalar até 1 GW, uma capacidade comparável à procura elétrica de grandes instalações industriais.
A operação surge num período de forte crescimento das emissões de dívida associadas à inteligência artificial e aos data centers. As emissões globais ligadas à IA atingiram cerca de 236 mil milhões de dólares até ao final de maio e poderão aproximar-se de 570 mil milhões no conjunto de 2026, segundo estimativas da Morgan Stanley. Dados posteriores citados pelo Wall Street Journal colocavam o montante já emitido perto de 270 mil milhões de dólares.
A Meta tem vindo a aumentar significativamente o investimento em IA, mas não dispõe de um negócio de cloud pública com a escala da AWS, Microsoft Azure ou Google Cloud, que permita gerar receitas diretas com a venda dessa capacidade a terceiros. Assim, utiliza os data centers sobretudo para suportar os seus próprios serviços, incluindo os modelos Llama, os sistemas de recomendação, publicidade, moderação, aplicações sociais e produtos de IA. A parceria com a BlackRock permite-lhe continuar a expandir a infraestrutura, enquanto procura limitar a pressão sobre o fluxo de caixa e responder às preocupações dos investidores sobre o retorno do investimento.
Para a BlackRock, a operação representa uma expansão do investimento em infraestruturas digitais, uma categoria que inclui data centers, fibra, torres de telecomunicações e redes energéticas.
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