A Meta anunciou um acordo plurianual com a Advanced Micro Devices (AMD) para a compra de chips de inteligência artificial no valor de 60 mil milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos. E está prevista a possibilidade de adquirir até 10% do capital da fabricante norte-americana. O investimento reforça a aposta da dona do Facebook na construção de capacidade própria de computação massiva para suportar modelos de IA generativa, sistemas de recomendação e futuros serviços designados internamente como "super inteligência pessoal".
O contrato permitirá à gigante de Mark Zuckerberg construir uma infraestrutura de IA com capacidade até seis gigawatts (GW), volume energético comparável ao consumo de milhões de habitações. As primeiras entregas estão previstas para o segundo semestre de 2026.
O acordo inclui direitos de compra de até 160 milhões de ações da AMD por 0,01 dólares cada, indexados ao cumprimento de metas de encomendas sucessivas. Caso exercida na totalidade, a opção poderá traduzir-se numa participação até 10% na empresa, aproximando a Meta do núcleo acionista de um dos principais fabricantes de semicondutores para IA.
A parceria abrange GPUs Instinct, CPUs EPYC e sistemas de IA à escala de rack, alinhando os roadmaps tecnológicos das duas empresas. A infraestrutura será baseada na arquitetura Helios, desenvolvida em colaboração entre as equipas técnicas da Meta e da AMD.
O movimento insere-se numa estratégia de diversificação de fornecedores, num mercado dominado pela Nvidia, que tem concentrado a maior fatia da procura global por chips de IA. A elevada procura por unidades de processamento gráfico (GPUs) para treino e inferência de modelos generativos tem pressionado preços e prazos de entrega, incentivando grandes tecnológicas a procurar alternativas.
Apesar do novo acordo, a Meta mantém relações comerciais com a Nvidia, tendo realizado encomendas significativas nas últimas semanas, como avança a imprensa norte-americana.
Em novembro, a Neta anunciou um plano de investimento até 600 mil milhões de dólares em IA e expansão de infraestruturas até 2028. A AMD, por seu lado, tem vindo a posicionar-se como alternativa à Nvidia, tendo fechado em 2025 um acordo relevante com a OpenAI para o fornecimento de chips destinados a centros de dados.
O acordo sinaliza uma intensificação da integração vertical e da disputa estratégica pelo controlo da cadeia de valor da computação para IA, num contexto de forte concentração tecnológica e crescente competição entre plataformas globais.
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