Meta prepara investimento recorde em IA para 2026

2026-02-03

A Meta está a preparar um investimento histórico em inteligência artificial (IA) para 2026, com um orçamento estimado entre 115 e 135 mil milhões de dólares, praticamente o dobro do valor previsto para 2025. A aposta consolida a estratégia definida por Mark Zuckerberg para posicionar o grupo na linha da frente da corrida global à IA avançada, num contexto de competição crescente com Google, a Microsoft/OpenAI e a Amazon.

O montante agora projetado supera largamente os 72 mil milhões de dólares estimados para 2025, já então uma revisão em alta face aos 66 mil milhões inicialmente previstos. A maior fatia do investimento será canalizada para infraestruturas, em particular para a construção e expansão de centros de dados de grande escala, essenciais para suportar os projetos dos Meta Superintelligence Labs, a unidade interna dedicada ao desenvolvimento de sistemas de IA de próxima geração.

O anúncio surge após um quarto trimestre de 2025 particularmente robusto, no qual a Meta registou um crescimento homólogo de 24% nas receitas, que atingiram 59 mil milhões de dólares, e um lucro líquido de 22,8 mil milhões. Segundo a gigante, o desempenho foi impulsionado sobretudo pela integração de IA nos sistemas de publicidade, hoje o principal motor financeiro do grupo, permitindo maior personalização, eficiência e retorno para os anunciantes.

A trajetória de investimento da Meta em IA evidencia uma aceleração contínua: 28 mil milhões de dólares em 2023, 39 mil milhões em 2024, 72 mil milhões em 2025 e, agora, até 135 mil milhões projetados para 2026. O salto previsto para o próximo ano é, de longe, o mais ambicioso e coloca a Meta num patamar próprio entre as grandes tecnológicas.

Grande parte deste esforço financeiro destina-se também à aquisição de chips especializados, ao reforço de redes de interligação de alta velocidade e ao recrutamento de talento altamente qualificado em IA, numa altura em que a procura por engenheiros e investigadores supera largamente a oferta global.

Apesar da escala do investimento, a Meta continua a enfrentar críticas quanto ao desfasamento entre o capital aplicado e os produtos lançados. Enquanto concorrentes como a Google já colocaram no mercado modelos amplamente adotados, a Meta ainda não apresentou um sistema de IA com impacto global comparável. Após as dificuldades associadas ao Llama 4, a empresa avançou com uma reestruturação profunda da sua área de IA, reforçando equipas, contratando investigadores de topo e desviando recursos anteriormente alocados ao Metaverso.

Entre os projetos em desenvolvimento estão um novo modelo de linguagem de grande escala, com o nome de código Avocado, e um gerador de imagens, designado Mango. Ambos integram uma estratégia mais ampla, que vai além da IA generativa convencional.

Mark Zuckerberg tem defendido publicamente que a Meta não pretende apenas competir em IA, mas liderar a transição para a chamada superinteligência artificial - sistemas capazes de ultrapassar o desempenho humano em múltiplas tarefas cognitivas. Com um investimento desta magnitude, a empresa reforça essa ambição e assume riscos significativos num horizonte de médio e longo prazo.

A grande incógnita passa agora por saber quando - e se - este esforço financeiro sem paralelo se traduzirá em produtos diferenciadores, capazes de justificar o maior investimento anual em IA alguma vez anunciado por uma empresa tecnológica.


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