Meta reduz 10% do emprego para reforçar aposta na IA

2026-04-29

A Meta tem em curso um plano de redução de cerca de 10% da sua força de trabalho global, no equivalente a oito mil postos de trabalho. A reestruturação visa libertar recursos para o investimento em inteligência artificial. A primeira fase deverá arrancar já a 20 de maio, podendo ser seguida por novas rondas ao longo do ano, ainda sem dimensão definida. A informação foi avançada pela Reuters e outros meios internacionais.

Que referem que a decisão se insere numa mudança estratégica mais ampla da tecnológica liderada por Mark Zuckerberg, que tem vindo a reforçar significativamente o investimento em IA, incluindo infraestruturas, modelos e automação de processos internos.

Apesar de apresentar resultados financeiros robustos, com receitas superiores a 200 mil milhões de dólares e lucros na ordem dos 60 mil milhões, a Meta está a reduzir camadas de gestão e a aumentar a eficiência operacional, através da integração de sistemas de IA.

A reestruturação inclui também a transferência de equipas para novas unidades focadas em IA aplicada e o desenvolvimento de agentes autónomos capazes de executar tarefas de engenharia e desenvolvimento de produto.  E surge num contexto de forte aceleração do investimento em IA: a Meta prevê despesas de capital que podem atingir entre 115 e 135 mil milhões de dólares em 2026, praticamente duplicando o valor do ano passado.

Um reposicionamento estratégico que implica uma redefinição das necessidades de talento, com menor procura por funções tradicionais e maior foco em perfis ligados à IA, engenharia avançada e infraestrutura digital.

A decisão da Meta acompanha um movimento mais amplo na indústria tecnológica, já que várias empresas têm reduzido os seus quadros de pessoal e estão a aumentar o investimento em IA. No primeiro trimestre de 2026, mais de 50 mil empregos no setor tecnológico foram eliminados, com a inteligência artificial a surgir como fator determinante em cerca de um quarto dos casos.

Gigantes como a Microsoft, Amazon e Oracle têm seguido estratégias semelhantes, ajustando estruturas de custos e reorganizando equipas para acomodar a transição para modelos de operação mais automatizados.

A evolução sinaliza uma mudança estrutural no mercado de trabalho tecnológico: a IA deixa de ser apenas um vetor de inovação para passar a influenciar diretamente a organização do trabalho e a dimensão das equipas. Neste contexto, os cortes na Meta não representam apenas uma medida de eficiência operacional, mas um reflexo de uma transformação mais profunda na forma como as grandes plataformas digitais estão a estruturar as suas operações e alocam capital numa economia cada vez mais orientada por IA.

 


Para tornar dispositivos mais proativos e inteligentes


Para reforçar áreas consideradas críticas para o futuro da Europa


Mostra Eurobarómetro Especial sobre a Década Digital


Preparando-se com parcerias para a nova fase da tecnologia


Será a mexida mais ampla em mais de duas décadas


Mas empresas ainda têm de redesenhar o trabalho