A Microsoft encerrou o exercício fiscal de 2026 com receitas trimestrais de 90 mil milhões de dólares, mais 18% do que no mesmo período do ano anterior e acima das previsões dos analistas. Os lucros aumentaram 31%, para 35,8 mil milhões de dólares, com a tecnológica a beneficiar sobretudo do crescimento da cloud, da utilização empresarial de inteligência artificial e da adoção dos produtos Copilot.
No conjunto do exercício, as receitas ascenderam a 331,8 mil milhões de dólares. O Azure ultrapassou pela primeira vez os 100 mil milhões de dólares de faturação anual, consolidando-se como um dos principais motores financeiros do grupo. As receitas do Azure e dos restantes serviços cloud cresceram 43% no trimestre, acima dos 39% a 40% antecipados pela Microsoft três meses antes.
A evolução foi apoiada pela procura de capacidade de computação, armazenamento, bases de dados e serviços de IA. A big tech indica que a procura continua a exceder a infraestrutura disponível em determinadas geografias e cargas de trabalho.
A receita total da Microsoft Cloud, que inclui Azure, Microsoft 365 comercial, Dynamics 365 e a componente empresarial do LinkedIn, aumentou 27%, para 59,3 mil milhões de dólares.
Para o trimestre em curso, o primeiro do exercício fiscal de 2027, a Microsoft antecipa receitas próximas de 90,4 mil milhões de dólares. Prevê que o Azure cresça cerca de 45%, sinalizando uma nova aceleração face ao trimestre terminado em junho.
Em termos de carteira contratada, o valor chega aos 678 mil milhões. O que inclui contratos cloud plurianuais, compromissos de utilização e serviços que serão faturados ou reconhecidos ao longo dos próximos períodos. A dimensão da carteira oferece maior visibilidade sobre receitas futuras, embora não indique quando cada contrato será efetivamente consumido.
O Microsoft 365 Copilot superou os 30 milhões de utilizadores pagos, contra mais de 20 milhões três meses antes. O crescimento indica que as ferramentas de IA generativa começam a ganhar escala comercial nas empresas, sobretudo em correio eletrónico, documentos, reuniões, análise de informação e automatização de tarefas.
A Microsoft prevê investir cerca de 175 mil milhões de dólares em 2026, sobretudo em data centers, servidores, chips, redes e contratos de energia. Só no último trimestre, as despesas de capital atingiram aproximadamente 41 mil milhões de dólares. A expansão reflete a necessidade de aumentar a capacidade para o Azure, para os produtos Copilot, para os modelos próprios e para serviços prestados a parceiros como a OpenAI e a Anthropic.
O CEO, Satya Nadella, afirma que a utilização de processadores e modelos desenvolvidos internamente está a produzir ganhos de eficiência que podem atingir 40%. A empresa procura combinar modelos de fronteira de diferentes fornecedores com sistemas próprios e especializados, selecionados em função do custo, velocidade e complexidade de cada tarefa. O objetivo é reduzir a dependência de fornecedores externos, controlar custos de inferência e utilizar os aceleradores mais dispendiosos apenas quando são necessários.
O crescimento da cloud contrastou com a evolução de alguns negócios orientados para o consumidor. As receitas de conteúdos e serviços Xbox diminuíram 10%, enquanto as vendas de hardware recuaram 13%. A área de Windows e dispositivos caiu 7%, num contexto de menor procura no mercado de computadores pessoais.
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