Microsoft: trabalhadores com IA já fazem mais nas organizações

2026-05-14

A adoção de IA nas organizações está a aumentar a capacidade individual dos trabalhadores. Mas o principal desafio deixou de estar apenas nas competências das pessoas. Está, cada vez mais, na forma como as empresas organizam o trabalho à volta da tecnologia. A conclusão é da mais recente edição do Work Trend Index da Microsoft, que analisa o impacto da IA no trabalho e o surgimento das chamadas Frontier Firms.

Segundo a Microsoft, o relatório combina a análise de triliões de sinais de produtividade anonimizados do Microsoft 365 com um inquérito a 20 mil trabalhadores que utilizam IA em 10 países, além de contributos de especialistas em IA, trabalho e psicologia organizacional. Os dados indicam que a IA está a deslocar parte da execução para sistemas inteligentes, enquanto aumenta o papel humano na decisão, criatividade, análise e definição de resultados.

Uma análise a mais de 100 mil interações no Microsoft 365 Copilot mostra que 49% das conversas estão associadas a trabalho cognitivo, incluindo análise de informação, resolução de problemas, avaliação e pensamento criativo. Para a Microsoft, este dado mostra que a IA já não está apenas a automatizar tarefas simples, mas a apoiar trabalho que antes exigia maior especialização.

O impacto também é visível na perceção dos trabalhadores. 58% dos utilizadores de IA afirmam estar hoje a produzir trabalho que não conseguiriam realizar há um ano. Entre os Frontier Professionals, descritos pela Microsoft como os utilizadores mais avançados de IA, a percentagem sobe para 80%. O relatório indica ainda que 66% dos utilizadores dizem que a IA lhes permite dedicar mais tempo a trabalho de maior valor.

Mas a Microsoft sublinha que o fator determinante para captar valor com IA não é apenas individual. A cultura da empresa, o apoio da liderança e as práticas de gestão de talento têm mais do dobro do impacto da IA quando comparados com fatores individuais, como mentalidade ou comportamento dos trabalhadores. A questão central, por isso, já não é apenas saber se as pessoas têm as competências certas, mas se as organizações criaram modelos de gestão, incentivos e estruturas que sustentam novas formas de trabalhar.

O estudo identifica uma tensão entre pressão para executar e necessidade de transformar. Embora 65% dos utilizadores de IA receiem ficar para trás se não adotarem rapidamente a tecnologia, 45% admitem que é mais seguro manter o foco nos objetivos atuais do que redesenhar o trabalho. Ao mesmo tempo, apenas 13% dizem sentir-se recompensados por inovar. Este desfasamento pode limitar a adoção real da IA, mesmo quando as ferramentas já estão disponíveis.

As empresas mais avançadas, designadas pela Microsoft como Frontier Firms, distinguem-se por focarem a absorção da IA e não apenas a sua adoção. Ou seja, não se limitam a disponibilizar ferramentas: redesenham processos, integram agentes e copilotos nos fluxos de trabalho, capturam conhecimento gerado pelas equipas e transformam esse conhecimento em aprendizagem organizacional contínua.

Esta mudança implica que a IA deixe de ser tratada como uma camada adicional de produtividade individual e passe a ser integrada no modelo operativo. Quando o conhecimento é captado, partilhado e incorporado no funcionamento das organizações, cria-se um ciclo de aprendizagem que pode reforçar a capacidade da empresa ao longo do tempo.

O relatório confirma que a próxima fase da IA no trabalho será menos tecnológica e mais organizacional. O acesso a ferramentas como copilotos e agentes será apenas o ponto de partida. A vantagem competitiva dependerá da capacidade das empresas para redesenhar funções, rever métricas de desempenho, incentivar experimentação, formar equipas e alinhar liderança, talento e tecnologia.

A mensagem da Microsoft é clara: os trabalhadores mais avançados já estão a fazer mais com IA. A questão agora é saber se as empresas conseguem acompanhar esse ritmo, criando estruturas que transformem ganhos individuais em impacto coletivo e sustentado.
 


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